Eu, frágil, luto.

sábado, 30 de novembro de 2013


Eu, frágil, luto.


Ainda que sozinha, luto as batalhas perdidas de quem está face a morte e tudo aquilo que é impossível compreender. Aquelas malditas batalhas solitárias travadas num quarto escuro entre você e o sentido da vida. Brigas retóricas, travadas como ecos, a sua voz e nada mais contra o silêncio implacável do desespero, as mil perguntas sem resposta.

O pior do luto não é quebrar, é constantemente varrer os cacos de si próprio para evitar o ridículo de ter se deixado cair em primeiro lugar, afinal, ninguém cai. Existe uma pequena arca onde as mágoas devem ser guardadas e o resto é vida que segue. Sinto que afundo e da superfície todos gritam "levanta!" mas ninguém mergulha para me resgatar, com medo de encontrar as naus de mágoas que afundou para finalmente poder cobrar de alguém que se levante. Eu, como Lázaro após o chamado, levanto-me num esforço que transcende a vida, mas não agradeço a motivação nem agradeço a cura ou ressurreição milagrosa: tivesse antes ficado submersa e aumentado o nível do mar em algumas lágrimas, tivesse antes tido tempo de gritar, repousar, sofrer até boiar inconsciente ou enfim viva à superfície, mas a pressa da vida que imperativamente tem de seguir me levantou de qualquer jeito e sou algo perdido entre o viver e o morrer, um cinza nessa vida preta e branca que não faz mais nada a não ser seguir. Não andem descalços e desprotegidos perto de mim: fui mal colada e posso ruir a qualquer momento, ferindo os passantes com meus cacos e pedaços. E ai de você se sangrar como sangro, porque ninguém mais sangra, ninguém mais sente, tudo a ser feito é seguir.

Quebrei-me, voltei ao quarto escuro, caí, me deixei vencer, peço que não insistam para que me levante. Talvez o pior da morte não seja nem ela em si, mas o fato de que cada morte ao seu redor te rouba um pouco do viver quando, face ao inevitável e obscuro, o mistério do adeus derradeiro se torna apenas mais algo que se deve ignorar, passar por cima e ir em frente no dia seguinte. A cada morte que acontece ao seu redor é você que se obriga a morrer, afinal, só os mortos não sofrem e você também não. Você ignora e segue. Eu talvez não queira seguir antes de me consertar por inteiro, e daqui debaixo d'água já escuto dizerem que talvez eu seja fraca (ah, que desgraça ser fraco!) e não aguente, que talvez eu precise superar. Assim sendo, sou fraca, então. Fraca porque luto, não fujo nem sigo.

Durmo aos dias para não acordar e acordo às noites para não ter de dormir, esperando algo que me salve no silêncio...qualquer coisa que me salve de morrer eu também. Quanto mais me debato, mais afundo. Da superfície ninguém chora o meu luto, pois fui levada pelas tais "águas passadas", convenientemente esquecida e submersa como tudo que é triste e inconveniente. Todos seguem.

Sobre Ramonização, cópias e porque eu não sou uma blogueira de moda

quarta-feira, 23 de outubro de 2013



Nessa minha andança pela vida usando estilos alternativos (e agora principalmente na faculdade) muita gente sempre me pergunta se eu tenho blog. Eu juro que isso é pior do que quando, na minha infância, as pessoas faziam aquelas perguntas idiotas que ninguém nunca entendia do gênero “setembrochove?” ou “você é bobo ou quer um real?” que nem quem perguntava sabia o que era e só serviam pra constranger. As pessoas sempre esperam que você, pessoa que se veste estranho (meu caso) ou com ar de ‘fashionista’ tenha um blog... de moda. É assim, museus têm lojas de souvenir, executivos têm cartões e eu, por tabela, preciso ter um blog de moda.


E eu não tenho.


Eu tenho um blog que vez que outra fala sobre moda, da mesma forma que vez que outra eu escrevo contos sobre paranoia e resenho livros. Eu gosto de moda, claro, senão fazer faculdade de design nessa área seria puro masoquismo acadêmico, mas não é sobre o que eu quero estar fadada a escrever sempre, então quando essa pergunta vem eu sempre fico com aquela cara de pessoa que pegou o elevador e estava dançando e outra pessoa entrou lá do nada. Eu fico naquele desconforto e entre o desviar o assunto, o fingir que não é comigo e o silêncio constrangedor eu sempre sou obrigada a mandar um “Tenho, até... Mas não é de moda” só pra ouvir aquele “...ah, tá” e a pessoa prosseguir com a sua vida.


 A grande razão pra eu não fazer um blog de moda é que eu não acho necessário ou construtivo. Digo, eu entendo quem tem os seus, certamente ajuda muita gente e eu certamente esbarrei em um ou outro desbravando a internet afora, mas não acho que o mundo precise de mais um. Vocês, blogueiras e blogueiros decentes, continuem fazendo seu bom trabalho e por favor não me levem a mal, mas a cena num geral me irrita. Eu odeio essa postura da maioria dos blogs de querer ser uma espécie de “vou te ensinar a ser eu em cinco passos” ou “como parecer diferente, criativo e original sendo o primeiro a usar algo na sua turma (porém que já foi feito e refeito por meia internet, mas ninguém precisa saber)” um saco.


Explicando melhor, eu acredito que blogs são algo essencialmente bom porém às vezes usados e/ou interpretados para finalidades ruins, uma espécie de força jedi que quando você resolve mirar pro lado negro, a coisa desanda. Eu acho ótimo, de verdade, que as pessoas tenham espaço pra mostrar seu estilo ao mundo e quebrarem esse mito de que as revistas são as únicas que podem mostrar a moda e o resto é descartado, mas quando esses blogs resolvem ser uma versão das revistas de moda só que com spikes, tá na hora de ver direitinho isso aí. A “ramonização” que se tem feito das coisas é algo que me irrita um pouco. Moda pra mim sempre foi expressão, um ato quase mágico de transformar aquilo que você gosta em todas as áreas da vida visível logo de cara, como se fosse um resuminho do seu humor, uma “bio”  do twitter na vida real e visual: as pessoas vêem, elas sabem. O problema é quando todas essas bios viram, como no twitter, o famoso “londres, café, tempo frio, livros” (não sabe nem o que gosta em Londres, toma café a cada virada de século, mal lê e fica choramingando quando o tempo esfria).  É desperdiçar espaço visual útil pra sua própria expressão e trocar isso por fazer um tipo. É desperdiçar a pessoa que você é pra fazer um cosplay de uma com interesses nada a ver com os seus só porque você acha que ela parece legal. E você nem sabe se ela é mesmo legal porque não conhece nada do que ela faz. É tipo tatuar kanji sem saber o significado, você tá querendo dizer "amor, força, lealdade" mas quem entende sabe que tá escrito "sopa de frango com arroz" e não adianta negar.



Basicamente, é comprar a camiseta do Ramones já rasgada sem conhecer nem Blitzkrieg Bop só pra fazer aqueles visuais com mil adjetivos em inglês:  “um look rock chic, inspirado nas punk rockers dos seventies e na streetfashion atual” . Socorro.


Eu sempre fui a favor da liberdade visual e nunca, jamais, em tempo algum deixei de dizer pras pessoas onde compro minhas roupas, como faço meu cabelo ou como customizo algo só pra ninguém se vestir como eu e dia desses me peguei ressentida por algumas garotas que decidiram que queriam se inspirar em mim do mesmo jeito que você se inspirava na wikipédia pra um trabalho do ensino fundamental. Estranhei meu comportamento e conversei com algumas amigas, o que me fez pensar que eu não gostei dessa atitude não porque me acho dona ou patenteadora das coisas que faço ou uso (nunca fiz questão disso) ou, como diriam as mulheres do funk, porque tenho “as inimiga” e “as recalcada” pagando pau, foi porque eu me senti usada do mesmo jeito que aquele aluno bom de física da sala se sentia usado nas provas: ele fez todo o cálculo e aí alguém olhou o resultado por cima do ombro e copiou só a última linha. O resultado foi o mesmo? Foi, sem dúvida alguma, mas assim como meus professores eu só considero isso meio certo.



Eu acho desnecessário ensinar as pessoas a parecerem como eu sou sem passarem por um processo de pensar bastante, de escolher roupa no pânico do último minuto, de juntar seus próprios gostos, de olhar outras pessoas e pensar se aquilo combina com você ou não. Toda vez que alguém pergunta onde eu compro roupas eu dou risada porque eu quase não compro em lojinha virtual, ou eu faço ou eu garimpo provavelmente nas lojas onde todo mundo também compra, só que depois de um tempo nessa vida eu adquiri a habilidade de garimpar coisas já pensando na customização. Eu sinto que é um desperdício da minha própria pesquisa quando a pessoa que tenta seguir um manual do (meu) estilo e só pega o bonde andando, veste e não sabe que eu usei aquela pena no cabelo porque ela é inspirada nas flapper girls dos anos 20 (e eu amo charleston e jazz), misturei com um vestido e meia-calça rasgada inspirado nas kinderwhores dos anos 90 que eu escolhi enquanto dançava Hole no quarto, que eu calcei o salto vermelho e coloquei um camafeu na roupa enquanto ouvia “antiquehighheelreddollshoes” do Rasputina e que eu amarrei um cinto de lacinho na coxa porque no dia eu (que nunca havia pensado nisso antes) achei que ele ia ficar bonito como garter e que fiz minha maquiagem sem nem pensar no resultado, só experimentando.  A coisa perde todas as particularidades deliciosas que faziam ela ser uma forma de expressão e quase uma arte e é transformada num visual vazio que não só não diz nada sobre quem vestiu como o que ela entendeu da coisa toda é tão raso que cabe em hashtags: #vintage #cute #fashion ou coisas do gênero.


Todo mundo nesse planeta conhece algo e sabe de algo que você não sabe. Todo mundo tem uma gama de gostos única que mesmo que alguém se pareça muito contigo não vai conhecer ou gostar ou vivenciar TUDO o que você vivenciou. Todos possuímos gostos próprios que se misturados poderiam gerar combinações incríveis, rostos diferentes que podem gerar maquiagens inusitadas, alguma peça de roupa que pode ser desmontada e feita em outra, todo mundo é cheio de possibilidades e é um desperdício não vasculhá-las todas e não revirá-las mil vezes só porque é mais fácil ficar na sombra de uma ou outra blogueira e ficar procurando as peças de roupa exatamente iguais as que ela usa pra fazer combinações iguais as que fez.

Eu tenho quase o mesmo guarda-roupa há anos e eu redescubro ele todo santo dia  e é por isso que eu não vou fazer desse espaço lindo e maravilhoso que eu tenho pra escrever um canto pra eu fingir que tenho a pretensão de ensinar as pessoas que “não tem estilo” a “serem mais fashion” (lê-se, ditar a minha moda como se eu fosse uma revista de tendências e se o meu jeito fosse o único certo e todo mundo quisesse ser eu). Caso os caminhos de estilo meus e seus se cruzem em algum ponto, eu vou ficar feliz em te dizer onde comprei tal roupa ou sapato, mas eu vou ficar mais feliz ainda de olhar pra uma foto sua com essa mesma peça e pensar ‘poxa, eu nunca pensaria nisso!’.  Não existe um diferente certo, e já que nós somos os ‘errados’ e ‘esquerdos’ por natureza, espero que nós, os supostamente alternativos e inconformistas, sejamos capazes de tentar mapear quantos tipos únicos de “errado, inusitado, diferente e impensável” existem no mundo. E eu espero que morramos tentando descobrir quantos números existem nesse infinito. 

Ugly

domingo, 20 de outubro de 2013

Este é um conto sobre auto-estima,baseado numa música homônima do The Smashing Pumpkins e naqueles sentimentos que costumam nos envolver de madrugada. Espero que gostem.


Ugly


Não sei ao certo, mas creio que começou apenas como um pequeno ponto preto em algum dos meus órgãos internos. Era quase imperceptível, mas era um diagnóstico horrível ainda assim. Eu não posso me lembrar do choro de minha mãe ou das expressões de desalento de todos na sala quando souberam que eu seria uma decepção (afinal, na época isso ainda não era visível), mas ficou marcado em minha mente e eternamente associado que a resposta da vida a mim é desconfortável, é sempre um silêncio constrangedor que me recebe da pior forma.  Assim como na vez em que cheguei à vida, passei o resto da minha existência respirando fundo, entrando em salas e acompanhando os olhares de espanto, os rostos se virando uns para os outros como se trocassem confidências sobre o que havia acabado de acontecer. E eu sabia que esses silêncios cheios de palavras implícitas eram sobre mim, seriam sobre quem mais? E então, como no parto, tudo acabava com meu choro. Era a minha sina, afinal.

À medida que cresci sentia que as manchas tomavam o meu interior cada vez mais, mas nada foi pior do que quando elas surgiram sobre a superfície da minha pele. Eu me recordo que foi exatamente na época em que comecei a ter mais contato com o mundo, era como se eu fosse alérgica a ele. No começo eu me sentia normal, mas isso desencadeava outras coisas em mim, isso era o começo... Digo, eu realmente queria ser uma pessoa admirável, bonita e encantadora e era uma qualquer que passava inconspícua, mas havia algo pior que ser ignorada e foi quando os hematomas se tornaram visíveis que eu soube que ser desprezada ainda era pior, mas não sei se um foi consequência do outro. Eu nasci assim, nasci fadada a esse destino infeliz de escurecer cada vez mais, como um tempo calmo que se fecha ao esperar da tempestade. As manchas davam a minha pele um aspecto arroxeado que evoluía para o preto dos machucados profundos, como se eu apodrecesse em vida a cada dia que passava. Elas nunca faziam mais do que isso, eram um problema totalmente visual mas me perturbava e enlouquecia a cada dia que passava, eu era horrível. Eu tinha medo de olhar o espelho, tinha asco e repulsa daquilo que me olhava de volta. As pessoas próximas a mim se afastaram, tinham medo de se aproximar mais do que o seguro e tinham medo da minha aparência. Afinal, que diabos eu poderia ter feito para ser assim? Eu jamais escolheria nascer desse jeito...

Roupas, maquiagem e tudo o que eu podia arranjar escondiam o necessário, mas nada jamais me tornaria uma pessoa normal, agradável, admirável. Por mais que eu escondesse, algum movimento errado, algum acidente e logo todos perceberiam que eu era feia. Lembro-me de no começo de tudo usar camadas e camadas de maquiagens e ficar quase feliz quando conseguia esconder convincentemente o que eu realmente era, mas isso nunca seria o suficiente. Eu nunca seria como as outras pessoas, tão livres, sorridentes, despreocupadamente caminhando, rindo e seguindo suas vidas sendo bonitas e amáveis e aproximando umas as outras, enquanto eu continuava a me esconder cada vez mais.  Tenho e sempre tive aptidão para fazer o que quisesse, mas o grande problema era querer. Nada me faria sair ao sol, deixar a luminosidade revelar cada um dos meus defeitos e quão repulsiva eu era e sou. Pintei as paredes do quarto de preto e a cada dia que passava eu me fundia e me camuflava mais a elas e àquele ambiente, meu refúgio, só meu.

Jamais fui capaz de me aproximar de quem quer que fosse. Embora algumas pessoas alegassem não ver nada eu sabia que eu escondia muito bem e que assim que deixasse escapar algo sobre o meu problema, eles notariam o que eu era realmente. Quando elas se davam conta de que quando eu desmontava o meu ato diário e deixava a água levar minha maquiagem e minhas lágrimas eu era realmente um nada, elas próprias tinham o trabalho de se afastar em busca de alguém com um sorriso mais vivo, olhos mais expressivos, alguém que mal se esforçava para ser maravilhoso e ter todo aquele 'algo a mais' enquanto eu passava horas buscando ser apenas aceitável. Todos os que se aproximaram de mim era por falta de companhia melhor, essa certeza pautava a minha vida e me protegia das decepções. Eu era como uma sala de espera: desagradável e nunca onde as pessoas queriam estar, mas um lugar por onde transitavam apenas quando obrigadas. Ninguém jamais iria desejar isso pra si, todos orbitavam ao redor das pessoas bonitas e ah, como eram encantadoras... Enquanto isso, eu tentava encontrar vontade para permanecer viva. Vez que outra eu tinha a impressão de que as manchas retrocediam bastante e haviam dias onde eu mal as notava, mas era só eu perceber um ou outro olhar atravessado ou risinhos para olhar de novo e perceber que nada havia mudado. Esse sentimento sempre voltava, e as manchas vinham com ele.

 E foi assim, de um dia para o outro que eu senti que não havia solução. Cegar-me só me faria mais frágil e cegar o mundo era trabalhoso e não me faria sentir mais bonita ou amável. Entre o dormir e acordar, sonhei que era linda como flores e garotas nos verões de sua juventude, e então o inverno chegou a mim e foi me enchendo de preto como a água faria preenchendo um aquário vazio, como a depressão preenche uma mente ociosa. Acordei apavorada, e entre gritos verifiquei que a imagem que me olhava de volta no espelho era inteira feita das manchas e hematomas que tanto tentei esconder, da cabeça aos pés, quando olhei-me nos olhos através do espelho e até eles estavam totalmente escurecidos, senti algo dentro de mim morrer... o pânico me fez gritar como nunca antes, quebrei o espelho, quebrei-me com ele. Tentei destruí-lo, mas isso só fazia fracionar a minha imagem horrível, aumentar os pedaços que refletiam minha imagem horrorosa, aumentar meu terror. Quando caí sobre o vidro, notei que meu sangue jorrava de um roxo escuro que coagulava preto, até isso, até o meu sangue, depois minhas lágrimas também, tudo, até o que estava dentro de mim, tudo era preto, tudo, tudo, TUDO... Eu nunca seria nada, eu sempre seria substituível, sempre uma sala de espera, sempre com o que as pessoas se contentam e nunca o que aspiram para si... Ah! Isso nunca, nunca mudaria! Enquanto fitava o sangue descendo pelos meus braços através do espelho quebrado, fui tomada por vertigens e deixei minha consciência fluir e fugir pra longe, bem longe de mim mesma enquanto observava minhas ruínas de diversos ângulos refletidas nos cacos de vidro pelo chão.

...


A sedação me impediu de acordar com o mesmo pânico que me fez desmaiar, e só deus sabe os horrores que se passaram em minha mente até que eu pudesse voltar desse breve coma. Eu insisti para que me deixassem em paz , tive medo que isso piorasse a minha situação e meu quadro já gravíssimo, tive medo de nunca ter a chance de ser bonita. Todos me olhavam como se nada fizesse sentido, como se todas aquelas pessoas que me convenceram, me ignoraram, me descartaram e viram o quão horrível eu sou estivessem mentindo, como se fosse insanidade... Foi então que questionaram que quadro grave era esse, afinal. Nenhum deles parecia se surpreender e após diversos exames foi constatado que não havia nada, nada de errado comigo ou meu corpo. Minha pele era normal, meus órgãos estavam intactos... Você acredita? Fiquei feliz por alguns segundos, mas depois me dei conta de que esse é sempre o começo, não é? Não há problema algum, mas também não há nada que valha a pena ou mereça destaque, não há nada errado, mas também não há nada certo...Eu nunca serei nada...


Você vê? Elas estão voltando mais uma vez...Elas jamais me deixarão...

Meu cabelo, um caso à parte

domingo, 29 de setembro de 2013




Bem, lá vai mais um post desabafo sobre a vida como uma pessoa ‘visualmente destoante’, e esse é especial sobre algo que faz parte de mim desde que nasci e que destoa visualmente junto comigo há algum tempo: meu cabelo.  Quem me conhece sabe que eu já passei por mil cores e combinações e continuo nisso sem previsão de parar. Bem, se a cada comentário feito sobre ele eu ganhasse cinquenta centavos eu estaria escrevendo esse texto de um café na riviera francesa, mas infelizmente eu escuto de graça mesmo. Sete anos atrás, eu que já meditava sobre a ideia a algum tempo decidi começar a pintar o cabelo e com isso também comecei a viver situações peculiares as quais todo mundo que já fez ou faz parte desse meio ‘hairdye’ conhece muito bem. Não me levem a mal, eu sei e sempre soube que a cada escolha de visual “”não convencional”” (sim, com muitas aspas) que você faz, você acaba chamando mais atenção negativa e positiva e precisa lidar, mas existe uma em especial que me incomoda um pouquinho a cada vez que se repete: a dissociação entre mim e o meu cabelo.




Que jogue o primeiro tubo de tinta Special Effects quem já pintou o cabelo de cor fantasia e nunca escutou um “me dá seu cabelo”, “sem as cores no cabelo não é você” ou até o bizarro “sou fã do seu cabelo”.  Isso é terrivelmente comum, mas também é estranho pra quem ouve. Eu consigo conceber a possibilidade de alguém realmente gostar do meu cabelo e não de mim (acontece com frequência) e de que meu cabelo é algo que desperta opiniões por aí, mas é muito assustador quando pessoas não se contentam em olhá-lo e começam a me adicionar no facebook e me seguir no twitter porque querem receber mais atualizações e acompanhar cada mudança...do meu cabelo. É pior ainda quando começam  a se aproximar de mim por causa disso,  como se eu fosse um acessório cool de se ter ao lado, olhar minhas fotos pra dizer “vim aqui só pelo cabelo” e a me chamar por nomes relacionados a ele, como se eu fosse um filme com subtítulo:  Sarah – A menina estranha do cabelo colorido. Claro que muitas vezes são apenas elogios colocados de uma maneira esquisita e sem maldade e muitas vezes isso nem chega a me ofender porque não é nenhum big deal, mas quando isso se repete é desumanizador e um “adorei o seu cabelo” seria bem menos traumático.  Ele pode ser uma parte minha que você gosta ou não gosta, talvez seja a única parte que você aprova, mas não nos dissocie porque nós não somos entidades separadas.


Pros que já vierem com os pensamentos do tipo “ela pinta o cabelo e não gosta?” ou “não sabe lidar com a atenção então para, ué” lhes digo que gosto de cores no cabelo e as tenho, o resto vem de brinde e eu tenho todo o direito de gostar ou não. O cabelo é MEU e está na minha cabeça por razões minhas. Eu não vou fazer enquete pra decidir cor, não vou te dar, emprestar, não vou andar com você no recreio e nem ser uma vítima do meu estilo porque eu não quero e nem pretendo ser mais uma daquelas pessoas que geram diálogos do gênero: “Nossa, o que ela faz pra ser admirada?” “Ah, ela pinta o cabelo...”.   Ele é só uma das partes que me compõe e eu tenho muito, muito orgulho da minha identidade visual mas eu não sou só isso e nem vivo pra isso, ele é apenas uma das minhas mil expressões. Como disse meu primeiro professor de filosofia após nosso primeiro contato (e após perguntar se era peruca, claro) “embaixo desse cabelo azul existe uma mente pensante!” e é dessa mente que vocês se aproximam quando procuram contato, e não do meu cabelo. Eu faço mil coisas, sou mil coisas, tenho gostos e predileções e não vivo em função das minhas cores na cabeça, elas são danos colaterais do que eu sou e gosto. Todo o meu amor pra vocês que vieram pelo cabelo e ficaram pelo resto, mas se você é uma das pessoas que nem olharia mais na minha cara se eu o pintasse de preto, por favor saia das minhas redes sociais, pare de falar comigo (porque sou eu que realizo a função de falar enquanto meu cabelo ainda não sabe responder vocês, paciência) e olhe pro meu cabelo e pro meu estilo de longe enquanto ele te agradar apenas. O cabelo ainda é da Sarah e não ao contrário.



The Sarah Experience: Cute is the new Punk

quinta-feira, 5 de setembro de 2013

Eu não sou blogueira de moda, já inicio esse post com essa afirmação. Estudo o design de moda, moda é uma parte importante da minha relação com o mundo e com a minha expressividade, mas não é do meu interesse focar apenas nisso e deixar todas as minhas outras pluralidades de lado. Deixando isso claro, vamos lá.

Essa semana, quem tem a minha ilustre pessoa no facebook foi bombardeado quase todo dia por selfshots de corpo inteiro minhas no espelho da minha faculdade. Eu tenho o costume de fazer isso  às vezes (só quando eu estou fabulosa, beijos), mas nunca com tanta frequência. Deixa eu explicar: foi tudo pela ciência.
Minha semana em roupas

Quem me conhece sabe que eu sou uma miscelânea de estilos e influências: do goth e punk até as coisas mais fofas e cor de rosa passando pelas streetwears japonesas e por coisas do passado em todos os sentidos (do rococó ao rockabilly, anything goes).  Por um acaso no começo dessa semana estava fazendo um frio desgraçado, e eu só queria saber de ir pra faculdade com a maior quantidade de roupas possíveis, o que me levou de volta pra um dos estilos do meu coração: o lolita (moda de rua japonesa, nada a ver com a famosa Lolita, de Nabokov). Após os dois primeiros dias de frio eu reparei  que as reações a mim eram absurdas  mais do que com qualquer outra coisa que eu usasse. Decidi ir a fundo e usar apenas esse estilo todos os dias para descobrir os fatores que desencadearam esse resultado. Pra mim foi estranho , afinal roupas “de boneca”  ou “de conto de fadas” (como as pessoas costumam se referir) nunca foram a minha imagem particular de algo reprovável ou símbolo de delinquência. Segui com a minha experiência pela semana toda porque simplesmente não combina comigo esse negócio de não procurar os significados nas coisas todas.

Eu tenho sido acusada de ser uma distração e visualmente destoante desde os meus primórdios independente do que eu vista, e observando que as ‘tendências’ da moda estão abraçando boa parte daquilo que considerava coisa de weirdos (do moicano e undercut até spikes e roupas como a famosa calça listrada que dominou as ruas nos últimos tempos) acho que isso ocasiona uma certa inversão de valores. A maioria das pessoas olha torto pra qualquer coisa mais ou menos alternativa mesmo, mas até mesmo na assim chamada moda alternativa correm os padrões sobre como ser estranho do jeito certo e cool e talvez essa minha escolha seja no momento a que foge a regra do ‘certo’ assim como antigamente quem se cobria de preto e em spikes dos pés a cabeça fugia.  Se a imagem desejada é a de edgy, extravagante, sexy, descolado ou sei lá, as pessoas tanto alternativas quanto mainstream parecem não saber de onde surgiu aquela criatura bizarra com roupas de criança de antigamente. Uma observação mental que fiz é que a minha geração e as mais jovens desenvolvem sede de se tornarem mais velhas cada vez mais cedo, e daí talvez a repulsa por tudo “de criança”. Some isso com a vontade de ser über moderno e está aí gerada a repulsa por roupas de estética antiquada e que podem remeter ao infantil.

Um efeito colateral bizarro disso tudo é que fui berrada na rua como N U N C A ouvi antes. Desde “QUE PORRA É ESSA?” até “PASSOU DA IDADE DE BRINCAR DE PRINCESA” e passando por “OH LÁ A BONECA HUMANA”, essa semana foi o caos nesse sentido. Quando eu não estava ocupada demais ouvindo Eagles of Death Metal e tentando não dançar no meio da rua, acabei me afastando da imagem da princesinha de contos de fadas e me aproximando das cortes reais verdadeiras destilando meu veneno porque não sou obrigada, ponto. Mais do que entendo olhar pro armageddon em forma de madeira que eu chamo de salto dos meus rocking horse shoes, entendo achar bizarro, mas se ofender vai ter que aguentar a coisa baixinha com roupa de boneca fazendo você passar vergonha no meio da rua, e isso é engraçado. MUITO.  Como pra toda regra há exceção, duas categorias de pessoas que ainda não foram muito influenciadas pela visão atual do mundo continuaram me amando como sempre: velhinhas e crianças. Velhinhas me adoram na rua com um sentimento quase nostálgico, enquanto crianças pequenas sempre acham que minha origem se deu quando alguém balançou um livro de contos de fadas e eu caí de lá.  Lei da compensação: alguém tinha que me amar.

salto apocalíptico do RHS

Ao fim disso tudo muita gente me elogiou, mais gente ainda riu e comentou de mim pelas costas e eu descobri que enquanto a maioria das pessoas busca nas referências do passado a imagem de rebelde e transgressor que está em voga, o polo totalmente oposto disso atualmente é o que mais causa o espanto, mas não é o espanto desejado, aquele que vem seguido de “nossa, que diferente...quero ser único assim”: é o espanto horrorizado genuíno,  até meio cheio de repulsa, nada cool. Após essa experiência totalmente inesperada e conduzida com sucesso, a sensação que ficou disso tudo é a de que quando eu resolvo romper com essas obrigações de ser cool, moderna, sexy e “adulta” tanto pros meios mainstream quanto pro alternativo (que seguem mais ou menos as mesmas regras) eu sou a estranha para o mundo e entre os próprios estranhos, uma contracultura dentro da outra, algo que apenas os poucos que fazem parte disso ou os mais desprendidos entendem e apreciam. Sigo chocando as pessoas com a minha ousadia em usar babados e rendas. Cute is the new punk. God save the queen.

Sobre a perfeição, quem sou eu e o mundo flutuante

terça-feira, 6 de agosto de 2013

Os japoneses tinham um conceito interessante chamado Ukiyo, traduzido literalmente como “mundo flutuante” que correspondia ao mundo boêmio principalmente das noites de Edo (Tóquio). É um mundo na névoa, impermanente, belo, etéreo, reino dos entretenimentos e prazeres, sem associação com o mundo medíocre e banal do dia-a-dia. Um dos símbolos desse universo eram as gueixas, que eram versadas em todos os tipos de arte para entreter, um símbolo de tradição e beleza (a própria palavra significa literalmente artista).  Além disso, o conceito dos Dândis de viver para o prazer e o belo gerou em mim um impulso parecido com o da Marquesa Luisa Casati: eu quero ser uma obra de arte viva.
Olhar-me no espelho sempre foi um fardo. Ele mostrava a realidade e eu queria outras coisas mais fáceis de aceitar do que isso. Quando comecei a ser pressionada por essas coisas, meu ideal de beleza e valor foi modificado para ser fruto do mundo onde vivo, mas não das minhas fantasias (essas nunca foram corrompidas). Sempre fui das artes e das leituras, sempre aérea e sempre distante. Minha mente foi o refúgio onde descobri que talvez eu pudesse sim, ser do jeito que queria: do jeito irreal das personagens que lia ou do jeito etéreo do que desenhava inspirada por mitologias diversas. A minha beleza era atingível e libertadora e me entreguei pra ela: roupas, cabelo, maquiagem, tudo.  O olhar do espelho passou a ser meramente ilustrativo, sem muitos significados atrelados e eu me senti de acordo com a minha alma. No dia em que percebi que eu era como sonhava foi como ouvir um grande silêncio após dizer o tal do “espelho, espelho meu...”

No entanto, eu sempre fui perfeccionista e isso vai ser minha ruína, eu sei. Ainda não me sentia boa o suficiente nem perfeita.  Rompi com o mundo “real” então, para viver dentro da minha visão filtrada dele como um quadro impressionista de uma paisagem qualquer, que é uma visão não concreta de algo que existe de verdade. O mundo que habito ainda é real mas é coberto de significado e cheio de uma esperança otimista de que tudo é (mais) belo, calopsia pura. Depois de me modificar, passei a ver o mundo de outra forma, e não só a mim. Coloquei um cenário na composição e já não era mais sozinha como um desenho num fundo branco.



Esse não é um texto sobre alguém que conseguiu se livrar das cobranças do mundo e ser plenamente feliz.  Tive a súbita epifania de algo que depois eu saberia que foi verbalizado genialmente pelo Chuck Palahniuk em Clube da Luta: “Um momento é o máximo que se pode esperar da perfeição” e eu vivo de momentos onde posso sentir isso e é nisso que mora minha satisfação em ser quem eu sou. Por fora eu posso não ser exatamente como eu quero porque a loteria biológica me privou de muita coisa que a vida me fez desejar, mas eu me usei de tela, aceitei que talvez não tivesse o material adequado mas eu mesma me pintei. E o problema de ser artista e arte comigo mesma é que a arte nunca é o que a gente esperou que ela fosse ser e nenhum artista se livra do dilema “ISSO TÁ UMA DESGRAÇA” ao finalizar tudo o que faz, mas ao menos posso ser sempre melhor. Passei a documentar meu processo.


Eu nunca gostei de tirar fotos minhas. Quem me conhece hoje deve achar isso um absurdo, mas é verdade. Eu recebia das fotos a mesma sensação de olhar frio do espelho e achava que não valia a pena me ver dessa forma parada, congelada no tempo, sendo tudo que odeio. Nessa de congelar momentos foi onde eu comecei a primeiro registrar as coisas que fazia em mim e depois compor entre mim e o mundo momentos que me comportassem e encaixassem com quem eu sou. Descobri que talvez eu pudesse saciar minhas expectativas vez que outra por breves momentos onde transcendo de mim pra arte e de arte pra mim.  Em uma fotografia onde eu estou eu sinto que sou única e insubstituível porque ela precisou de uma mente e uma ideia só minha pra ser real e saiu da minha cabeça para o mundo. Quem se interessar verá com os próprios olhos o que sou e se souberem enxergar, saberão como me sinto.  É impossível dissociar a atmosfera do cenário de mim e do que eu sou, e naquele momento eu não sou bonita e nem feia, eu sou arte. Milimetricamente composta, parte da cena, necessária, indispensável e idealizada por mim, sempre em progresso e querendo transportar o espectador pro meu mundo.


As outras formas de arte me aliviam e me fazem continuar (e por isso escrevo, desenho e todo o resto)  mas os momentos de perfeição onde transcendo e me transformo são as fotos, a música e a dança. Enquanto as outras formas servem para me pintar, essas constroem o meu cenário e me colocam no espaço e por isso amo a todas igualmente: sou polímata porque se não fosse não viveria. Mesmo que eu não seja profissional ou digna de nota no que faço, essas coisas me são quase intrínsecas. Seja pelo timbre da voz, atmosfera da fotografia ou por sentir meu corpo responder ao som e ao que sinto, naquele momento me sinto bela e perfeita e me hipnotizo ao mergulhar em mim. Por ser eu, por estar onde estou, por ter minha voz, por ver o mundo como vejo, por só de brincadeira passear delicadamente com as mãos no ar como uma gueixa faria... por ver excepcionalidade no dia-a-dia e torná-lo um verdadeiro Ukiyo. Reservo-me assim ao direito de não ser real, bonita, feia, inacabada, palpável. Vivo a vida com os olhos do mundo flutuante e em breves momentos eternamente congelados onde eu sou o que quero e estou no mundo em que imaginei. No meu Ukiyo eu sou perfeitamente insubstituível como arte e como artista, e é pra ele que eu fujo quando me sinto mal, é nele que sei meu valor.



... Living only for the moment, turning our full attention to the pleasures of the moon, the snow, the cherry blossoms and the maple leaves; singing songs, drinking wine, diverting ourselves in just floating, floating; ... refusing to be disheartened, like a gourd floating along with the river current: this is what we call the floating world... (Asai Ryoi – Ukiyo Monogatari)

Resenha: Gênesis - Bernard Beckett

segunda-feira, 3 de junho de 2013

Gênesis
Autor:
 Bernard Beckett
Editora:
 Intrínseca
ISBN:
 978-85-98078-57-1Ano: 2009
Páginas:
 173
Para ler ouvindo:
Deftones - Change


Eu vou ser obrigada a dividir essa resenha em duas partes: uma resenha normal do livro e alguns parágrafos extras, recomendados pra quem já leu o livro (spoooiler). Estarão em branco no final do texto, só selecionar.
Gênesis é uma distopia pautada na filosofia, onde acompanhamos o decorrer de duas histórias simultâneamente. Começamos a história focados em Anaximandra, uma jovem estudante de história que aspira entrar na famosa Academia e para isso é avaliada durante quatro horas por uma banca. Durante o livro, Anax discorre sobre o tema de sua avaliação, Adam Forde, um homem que rompeu as regras da antiga república de Platão e com isso mudou o rumo da história.
No meio de minhas últimas leituras medianas, Gênesis se destacou completamente. Quem acompanha minhas resenhas sabe do amor que tenho por livros distópicos, e não exagero em dizer que foi minha melhor leitura do ano até agora. Com apenas 173 páginas, foi capaz de me atordoar tanto que eu seria capaz de falar  por horas e horas a fio sobre todos os seus simbolismos, entrelinhas e questionamentos. Seu grande atrativo é que a história se encerra em poucas páginas mas continua a se desdobrar detalhe por detalhe na cabeça do leitor. Me atormentou tanto que eu finalmente reabri a sessão de resenhas do blog, ou seja, a coisa é séria.

Anaximandra vive em uma sociedade criada a partir de conflitos bélicos que ocorrem a partir da terceira década do segundo milênio.  Ela, como historiadora e pertencente a classe dos filósofos, nos conduz por uma sociedade pós-apocalíptica e recém destruída pelos conflitos bélicos que consideramos atualmente tão iminentes (como guerras petrolíferas cheias de terrorismo entre o Oriente Médio e os EUA, acrescente importância econômica da China e uma Europa perdida e em crise) que levam a humanidade para o tão conhecido cenário do pânico causado pelas guerras na população. O autor sabe muito bem misturar fatos conhecidos sobre o comportamento humano nessas situações e a história da humanidade com o universo criado por ele, e o que acontece a seguir não é muito diferente do ocorrido em qualquer guerra: Surge alguém para trazer alguma solução instantânea, que nesses casos quase sempre envolve controle populacional, instauração do medo e uma sociedade obediente e fechada que preza, acima de tudo, a proteção de sua terra.
Platão cria uma república fechada chamada Aotearoa, uma ilha onde seus habitantes se cercam de proteção contra o mundo externo para evitar que a peste e outras mazelas os atinjam.  

Quem já leu A República de Platão (o filósofo) vai entender em detalhe o funcionamento da república de Atearoa feita por Platão (a personagem do livro), e abro aqui um espaço para comentar que quase todas as personagens do livro possuem nomes de filósofos e todas possuem nomes que combinam com o que fazem e com seu rumo na história central. Ter algum conhecimento filosófico não é exatamente necessário para ler o livro, mas ajuda na compreensão e no desenrolar dos fatos. Nessa república dividida por classes, os filósofos eram considerados a casta mais alta e privilegiada por serem a classe pensadora e ‘iluminada’ o suficiente para governar a república. O estado era visto em primeiro lugar, enquanto o indivíduo e suas questões pessoais eram ignoradas. Nesse meio, nasce Adam Forde, um jovem considerado inteligente o suficiente para ser um filósofo porém com perigosos traços de insubordinação às autoridade, personalidade e ego. Acaba trabalhando em um cargo de vigia das muralhas da república, quando, por impulso, salva uma garota que deveria ter sido morta assim como todos os imigrantes.

Adianto a vocês que isso não é uma história do tipo “garoto-conhece-garota” e esse é o único spoiler que deixo por aqui, já que isso pareceu decepcionar grande parte dos leitores em reviews. É a punição escolhida para Adam por esse ato tão impulsivo e inexplicável que rege os rumos do livro, e se essa pequena revelação te assustou já se prepare porque esse livro é cheio de plot twists nos dois cenários (o de Anax e o de Adam), coisas inesperadas e muitos, muitos questionamentos que vão virar sua mente do avesso e colocá-la de volta ao lugar umas tantas vezes, até que você não saiba o que o atingiu e que não faça a mínima ideia de como responder a pergunta que está na capa: “O que realmente significa ser humano?”. E é no fim e na releitura (sim, vale a pena ler duas vezes) que você finalmente nota que pequenas coisas estiveram presentes o livro todo, mas que você se deixou levar pelo senso comum e pelo que imaginou e não viu o que se desdobrava ali mesmo. A academia sabe mais do que você imagina. A história completa fora ocultada.

Gênesis me acertou como um tiro pelas costas. Conduziu-me violentamente por todas as suas reviravoltas num final que após muitos e muitos sustos vi chegar com um pesar meio controverso. Recomendo pra quem procura uma leitura rápida e densa. Bem, se me surpreendi? Deixo que Anaximandra os responda:

“eu tento não me surpreender. A surpresa é o rosto público de uma mente que estava fechada” (pg 140)

 Análise: /!\ Aleeeeeerta de SPOILER /!\
A trama principal do livro, a que une totalmente as duas partes, é iniciada quando outro processo comum ao pós guerra se inicia: a população antes amedrontada começa a esquecer-se do que temiam, afinal. São acostumadas a vida na república, tem filhos que não sabem o que foi o temor da guerra e então a crença cega em seus governantes se perde.  Procurando uma solução para isso, acabam por seguir outro princípio platônico: as classes inferiores como trabalhadores braçais são menos dignas por não dedicarem-se ao pensamento. Juntou isso com outro pensamento altamente visto na história, o de que as classes baixas são as únicas possíveis insatisfeitas e que são quem inicia as revoluções. Isso num mundo futurista (mas nem tanto, o que lembra o 1984 do George Orwell, que foi escrito em 1949), acaba implicando na solução mais lógica: máquinas que façam o serviço. Com a evolução dessas tecnologias, são criadas máquinas cada vez mais avançadas, emulando consciências humanas.

Entramos no dilema da I.A., o que mais nos atormenta o livro inteiro. A pena de Adam é ser condenado a viver preso com Art, um robô que se desenvolve ao entrar em contato com humanos e aprender com eles. Quando começam a travar diálogos incríveis sobre a essência humana, o que define uma consciência e a possibilidade de uma máquina de gerar um pensamento, é quando o autor te leva pra cima e pra baixo e você precisa parar, fechar o livro e respirar fundo pra ver se chega a alguma conclusão. Art, ao entrar em contato com o impetuoso e inteligentíssimo Adam, se torna cada vez mais capaz de refutar toda e qualquer convicção básica humana, enquanto Adam procura jeitos de esquivar-se disso. Art desafia Adam a tal ponto que é impossível para ele continuar com sua linha de pensamento,  conseguindo refutar até mesmo o famoso argumento hipotético do quarto chinês*(1). Adam se vê admitindo que acredita que a máquina possa pensar e ter consciência, e que pode desejar assim como ele ser livre. E é quando Art, na minha opinião, torna essa convicção dele a sua própria, traindo-o, traindo uma de suas leis fundamentais (não ferir outro ser consciente) e libertando-se, espalhando sua programação ‘defeituosa’ e possivelmente consciente a outras máquinas, fazendo com que a civilização da época praticamente imploda.
 Enquanto isso, o próprio livro nos testa de forma quase literal. Fez-se um teste de Turing *(2) conosco o tempo todo, e fomos levados a crer que coisas como o interesse pela filosofia, questionamentos e a capacidade incrível de formular respostas levadas pela lógica E pelas sensações são algo exclusivo humano, e levamos isso intrínseco no senso comum. Anaximandra é uma máquina e nem ao menos nos damos conta disso até que o livro se revele, pois ela, assim como muitos, fora infectada pela programação influenciada por Adam se tornando um perigo em potencial. Embora Art nos traga a surpresa e a reação negativa, acabamos por simpatizar com Anax, pois assim como ela nós fomos conduzidos pelas crenças nas histórias comuns e acabamos por descobrir que o universo do livro não era o que esperávamos, o que víamos pelos olhos dela. A associamos com nós mesmos, o erro fatal de Adam.  Caímos no dilema de nos afeiçoar a uma máquina, dilema esse que condenamos por ser óbvio. Acreditem, essa sensação controversa do final vai ser difícil de digerir. Ao final, eu já não tinha certeza alguma sobre o que é ser humano, mas, afinal, não é de dúvidas que se trata a filosofia?
Sobre os nomes:

Anaximandro era um filósofo que acreditava que o universo era feito de uma espécie de matéria infinita da qual todas as outras surgem, e que essa matéria é algo que não foi criado em momento algum, porém existe e é imortal (mais ou menos como um conceito de alma), e se preocupa com a finalidade e se questiona sobre tudo que sai do princípio dessa essência, enquanto Anaximandra por si só seria considerada uma dessas criaturas e se questiona sobre elas.

Péricles foi uma personalidade política Ateniense e incentivador cultural da filosofia, enquanto grande populista. Apesar disso, é considerado um dos motivos da degeneração da democracia ateniense. Péricles no livro é o tutor (também máquina) de Anaximandra, que a delata como risco para a academia e destrói o conceito que Anax tinha com de sociedade, que pensava ser perfeita. Apesar disso, agia em prol da população.


Adam (Adão) salva uma garota (Eve/Eva) e por isso é condenado. Acaba lidando com os dilemas do livre arbítrio ao longo do livro, assim como o Adão bíblico.

Aotearoa é o nome em maori para Nova Zelândia, país de origem do autor do livro.
*(1) : O Teste de Turing consiste em ter três participantes, A, B e C, onde C precisa descobrir entre A e B quem é a máquina. Se ele não conseguir dizer com certeza, a máquina passou o teste. Esse teste causa controvérsia sobre o fato de máquinas pensarem ou não, mas conclui-se de forma geral que máquinas podem, ao menos, ser muito boas em emular uma inteligência e consciência humanos.

*(2) a hipótese do quarto chinês consiste em: uma pessoa que não fala chinês está presa num quarto com uma máquina. Alguém que fala chinês insere um bilhete debaixo da porta, o qual a pessoa não entende, mas colocando os símbolos na máquina ela é capaz de gerar uma resposta perfeitamente aceitável ao bilhete. E se a uma pessoa fossem dados um livro de instruções sobre qual símbolo deve ser respondido com qual, ela poderia responder o chinês perfeitamente, sem ela ou a máquina compreenderem a língua. Essa hipótese é usada para refutar a ideia de que uma máquina que é capaz de ter um sistema de respostas programadas possa pensar e compreender por si, e que onde há gramática não necessariamente há semântica. 

/!\ Fim dos Spoilers /!\

Um dia comum na minha vida, a parte BOA de ser diferente e meu “mojo” pra coisas inesperadas

sábado, 1 de junho de 2013

Um dia comum na minha vida, a parte BOA de ser diferente e meu “mojo” pra coisas inesperadas 
Depois do último post, me senti um pouco na obrigação de fazer um sobre o outro lado da história.  Eu já estava pensando no que escrever quando decidi sair de última hora na sexta e, bem, achei que meu dia se encaixava exatamente no que eu precisava.  Engraçado como as coisas às vezes parecem cair do céu pra se encaixarem exatamente no que eu preciso, haha.


Tipo no tetris. ou eu com esse muro. Tudo a ver


Começando pelo começo, que venha o relato do meu dia: essa sexta decidi sair com umas amigas pra fazer um piquenique numa praça. Nos encontramos antes num restaurante com a Keiko e a mãe dela e a garçonete teceu alguns elogios sobre mim, e conversamos um pouquinho. Acabamos saindo de lá “tarde” e fomos brindadas com o anoitecer, uma visão privilegiada de três planetas e um começo de noite zoneando num parquinho. Quando saímos de lá acabamos passando pelo shopping mais próximo, e lá começa a minha odisseia. Chegando lá, a primeira coisa que fazemos é atacar a livraria mais próxima, uma velha tradição nossa.  Enquanto subíamos para procurar os CDs, um senhor aparentemente francês me para pra dizer que eu estava “très, très jolie”. Minhas aulinhas de francês na escola cobriram esse básico, mas como não tive mais que dois anos, o resto do diálogo seguiu em inglês mesmo. Ele me disse que gostou muito da minha camiseta no dia, que eu mesma customizei. Pois é, minhas habilidades artísticas estão recebendo elogios em francês agora ~”para desespero das recalcadas”~ HAHAHAHAH. Agradeci o quanto pude e ele me disse que meu inglês era muito bom, olha só. Digo e repito que falar inglês vale a pena, padawans!
banheiros de shopping: nem sempre o melhor cenário mas era o que tinha pra hoje

Seguindo com o meu dia, após alguns um encontro acidental com a Clarisse (uma outra amiga minha)  e as amigas dela (todas muito fofas me perguntando coisas sobre piercings e cabelos), fomos ao banheiro e como sempre isso resulta em foto. Risadas e poses depois, a funcionária da limpeza do shopping que estava por lá me parou pra perguntar se meu cabelo era meu mesmo e se eu trabalhava em novela ou em televisão. Poxa vida moça, quisera eu! Se fosse assim ao menos tinha dinheiro HAHAHAH. Ao sair do banheiro e no caminho para sair do shopping, sou parada por  algumas vendedoras correndo muito atrás de mim (tadinhas delas, eu ando muito rápido). Elas pediram muito pra eu entrar na Viva Allegra porque tinham gostado do meu estilo e da minha melissa Karim Rashid High, que é uma das minhas favoritas e é linda. Quem me conhece sabe que eu sou louca por melissa e adoro sempre os modelos mais diferentes. Tenho uma relação muito boa com a marca (que adora gente edgy e exótica) e já respondi uma pesquisa pra eles que me rendeu uma melissa nova e algum dinheiro, inclusive fui escolhida para ela graças ao meu estilo também.  As funcionárias da loja me chamaram pra posar com a Incense do Karl Lagerfeld, que é minha preferida da coleção e em breve será minha (necessito, esse sorvete no salto é tão a minha cara que eu nem sei). Todas foram super simpáticas comigo e todas muito empolgadas sobre melissas e tudo mais, e não tem nada que me encante mais do que ver gente que realmente trabalha com o que gosta. Mini photoshoot improvisado depois, elas pegaram meu contato e estou no aguardo das fotos oficiais delas saírem no blog da loja (quando saírem faço um edit aqui e as posto). Enquanto isso, fiquem com uma das fotos de making off tiradas pela Patricia. Ganhamos a revista Plastic Dreams com a coleção mais recente da marca, e um editorial lindo de morrer com a Cara Delevigne e o Karl Lagerfeld.
Yummy!

Quem me conhece sabe que passo por situações inusitadas assim com certa frequência, em parte pelo meu estilo diversificado, em parte pelo meu ~mojo~ pra atrair situações no mínimo curiosas.  Sair nas ruas é sempre uma aventura pois não sei quem ou o quê vou encontrar, e embora às vezes passe por momentos complicados já descritos, vale a pena sim mostrar pro mundo quem você é e o que faz. O fato é que existem aproximações e aproximações, jeitos e jeitos os quais as pessoas sempre reagirão a você. O meu jeito de lidar com isso é abstrair ao máximo o que não posso aproveitar e focar apenas no fato de que, não importa como o mundo reage, quem está feliz comigo mesma sou eu. Essas reações sinceras e inesperadas de admiração e curiosidade são apenas lucro, e servem de incentivo. Que fique aqui meu sincero “YOU GO, GIRL/BOY” pra todos vocês que também destoam visualmente do mundo e o meu conselho:  se vocês sofrem com isso, não se fechem,  o problema pode não ser você e sim as pessoas ao seu redor. Se ame, coloque sua melhor roupa, ignore os olhares curiosos e os comentários maldosos e saia por aí, talvez você se abrindo também adquira essa habilidade de atrair coisas boas e encontre pessoas que te admiram. Who knows? Existe muita gente por aí que acha nossa coragem e os pontos tortos das nossas customizações DIY très, très jolie!


{Escrevi ouvindo: Estelle & Janelle Monàe - Do My Thing}

Sobre o ato imperdoável de chamar a atenção, timidez e levar um golfinho pra passear

quarta-feira, 22 de maio de 2013


Sobre o ato imperdoável de chamar a atenção, timidez e levar um golfinho pra passear

Eu sou visualmente destoante da maioria das pessoas. Não acho que isso me faça melhor ou pior que alguém, mas considerações à parte eu sou um tipo até incomum de encontrar por aí, e tenho sido assim desde que me entendo por gente. Não basta eu ser socialmente awkward e nem ser tímida e fechada, eu tenho que aliar isso com um gosto por roupas um tanto quanto incomuns, cabelo colorido e batom azul. E às vezes balões.

quase sempre balões, na verdade

 O meu ponto com isso é que ser visualmente destoante é um tema controverso, sempre. Se você quiser saber como é, pense em alguém da mídia e pegue só a parte ruim: todo mundo sempre vai ter uma opinião sobre você e vai se achar no direito de te comentar, gritar na rua, pedir pra tirar foto, fazer piada... é um tanto quanto desumanizador. Você é um vaso exótico de decoração e todo mundo vai parar pra olhar, seja pra dizer que amou, pra tirar foto ou falar que é ridículo (e dê graças a deus se não passarem a mão).  Não vou negar, com o tempo me acostumei com esse tipo de coisa, mas é um preço que eu não gostaria de pagar. Existem pequenas coisas boas como ser chamada pra coisas legais, gente que te admira, ganhar dinheiro  só porque uma moça de uma empresa de pesquisa gostou de você, os coolhunters, as pessoas te encontrarem mais facilmente e crianças te chamando de sereia/fada/princesa,  mas isso é uma exceção perto das pessoas sem noção que se acham no direito de te berrar no meio da rua o quanto o seu cabelo é horroroso.  Pergunto-me o que faz essas pessoas acharem que isso é um comportamento aceitável, afinal eu acharia estranhíssimo e de mau gosto parar pessoas ‘normais’ na rua pra falar “moça, sua progressiva tá vencida e horrorosa” “moço, você é horroroso”  “cara, por quê você tá usando chinelo com roupa de frio?” e coisas do gênero. É absurdo.


Quando discuto isso com pessoas que não têm o mesmo problema, uma resposta muito comum é a de que eu estou “pedindo por isso porque gosto de chamar atenção” e que preciso aguentar.  É um erro sem tamanho supor que só porque uma pessoa se veste de jeito x ou y ela está confortável com atenção, especialmente a negativa (e mesmo que eu quisesse e soubesse lidar com isso, é um erro supor que chamar a atenção é algo condenável).  Eu sou a pessoa que fica sentada num canto ouvindo música E lendo um livro pra não ser abordada inutilmente, eu não sei me apresentar para um grupo de pessoas que não conheço e nem nada que exija habilidade social. O grande problema é que eu tenho inspirações em coisas como moda de rua japonesa, criaturas mágicas e subculturas underground, e me expresso através da minha imagem com cabelo, roupas, maquiagem. Pra mim é uma espécie de arte, eu gosto disso e isso me faz bem e me faz confortável e condizente por fora com o que sou internamente e com meus interesses.  Não é uma espécie de fantasia que visto pra fotos, quem convive comigo sabe que eu uso tudo isso no dia-a-dia e que é possível me encontrar 8 horas da manhã maquiada e montada na faculdade. Lendo um livro E ouvindo música até a aula começar, mas ainda assim montada. Isso é quem eu sou e faz parte de mim. Um belo dia eu precisei prometer pra mim mesma que seguiria sendo eu mesma mesmo que isso significasse perder “amigos” por eles terem vergonha de andar comigo na rua e ser obrigada a dar um boost na minha confiança, seja pra berrar de volta pra quem me ofende ou pra vestir meus sapatos alados e levar meu balão de hélio em formato de golfinho para passear e tirar algumas fotos. Faço isso tudo E sou tímida e recusaria de bom grado esse tipo de atenção, e inclusive não peço por ela. Sou exatamente tão controversa quanto um rockstar  que sobe num palco e performa incrivelmente por horas sobre tudo o que quer expressar e depois, quando volta a vida normal, surpreende os outros por não fazer questão de socializar. Como diria o incrível Daniel Johns “you meet people every night who expect you to be this rock star with these developed social skills, which I don't have* “. E não tem nada de errado com isso. Daniel: tamo junto. Acho que  sou meio criança, aquelas que dão risada alto e correm o tempo todo, mas quando alguém chega perto pra dar oi se escondem na barra da saia da mãe e respondem a idade que tem fazendo o número com a mão. Mas quando eu era pequena ninguém me questionava o porquê disso.  


talvez as pessoas devessem manter seu lado infantil

E então,  sou questionada sobre a atenção positiva e a “fama”, se não é isso o que me leva a continuar. Não, não é. O que me leva a continuar é que eu sou assim e não quero me ‘fantasiar’ de outra pessoa.  O resto é uma espécie de compensação, um prêmio mínimo por eu ter a coragem de ter dado ao mundo meu dedo do meio e ignorado  tudo pra ser quem eu sou. Primeiro que eu não sou nada famosa, se fosse estaria por aí ganhando dinheiro e tudo de graça. Newsflash: ser notada e ser famosa são coisas diferentes. Segundo que essa parte boa na verdade só existe por causa da parte ruim, ou alguém ainda acha que o “nossa, queria ter a coragem pra ser assim” significa coragem de vestir o que eu visto ou pintar o cabelo? Essa é a parte fácil. Difícil é sair de casa e enfrentar a chibata chamada opinião alheia, esperando que um dia o mundo seja feito apenas de pessoas que te chamam de boneca ou fada, ou até mesmo das que olham estranho e perguntam educadamente se estiverem curiosas, porque não, não é errado ser curioso perante o que lhe é desconhecido e tentar entendê-lo. Com isso eu lido: paro, respondo educadamente e sigo meu dia. O problema é falta de respeito e com isso eu ajo respondendo bem alto, de forma que faça o idiota que escolheu justo a mim pra irritar passar o ridículo o qual ele tentou me expor. E eu sinceramente não sou obrigada a me "esconder" e ser algo o qual não me sinto bem sendo só porque não quero ouvir besteira. O resto do mundo que é obrigado a ser pelo menos um pouco mais civilizado. Não precisa ser menos curioso e nem ter menos estranhamento, só respeito. Enquanto isso, sigo ouvindo e respondendo besteira na rua, e ficando sem jeito quando alguém me elogia.


*Você conhece pessoas todas as noites que esperam que você seja um rockstar com habilidades sociais desenvolvidas, coisa que eu não tenho.

Sobre retrospectiva, karma, rádios e tele-sena

sábado, 18 de maio de 2013


Sobre retrospectiva, karma, rádios e tele-sena


Pois é, pela primeira vez estou fazendo um post decente em 2013, yay. Existem razões pra eu só ter feito esse post agora, em maio   nenhuma delas tem a ver com meu atraso colossal e preguiça pra fazer qualquer coisa, eu juro  . Eu não queria fazer um post novo direto no começo do ano porque, bem, o que diabos eu falaria de 2013 no dia primeiro de janeiro? É como quando te perguntam 00:01 do dia do seu aniversário “como você se sente?” e você se limita a ficar com aquela cara de paisagem e responder “...mais velho”. É decepcionante.

Sobre esse ano de agora, eu já contei aqui a vocês sobre minha vida sem celular e falei sobre como isso era possível. Com a faculdade, acabou sendo necessário pra mim ter um e eu acabei ganhando-o em 2013. Só que, gente, karma é coisa séria, seríssima. Dois meses após eu ganhar meu celular e já fazer dele uma extensão de mim, três vidalokas desses de quinta categoria me pegaram numa rua de manhã cedo e me levaram, mesmo eu resistindo. (Pra vocês terem uma ideia, eu ainda tenho o fone dele sem o plug que foi estourado e levado de mim e a capinha que eu consegui segurar). Já estou sem celular de novo. Assumo que sinto falta da câmera dele e das breves experiências ‘fotográficas’ que tive, mas o que mais me faz sentir falta são as músicas, é inevitável. Por Zeus, eu passo metade do meu dia ouvindo rádio e quero morrer cada vez que as duas únicas rádios que eu escuto estão passando propaganda, daí eu fico naquele circuito 89 -> Kiss, Kiss -> 89 até passar. E se eu me aventuro a sair dessas rádios sou brindada com música da melhor qualidade, só que não. É agoniante acordar com uma música na cabeça e só escutar ela depois de chegar na faculdade ou em casa, não recomendo.  Bem, pelo menos eu não fui parar na indigência.

Pra finalizar minha retrospectiva,aqui disse que minhas únicas promessas de ano novo seriam  levar o blog a sério, não procrastinar demais as leituras e aprender alguma coisa nova . Bem, consegui manter a promessa em 2012 e fazê-la seguir em 2013: o blog foi sumariamente procrastinado mas acaba de passar por uma reforma,  as minhas leituras vão muito bem, obrigada e eu estou aprendendo a tocar teclado, além de esse ano ter entrado na faculdade de design de moda e estar aprendendo mais outro tanto de coisas...


tipo desenhar com gente olhando 

Prometo um outro post contando a vocês minhas desventuras na formação profissional, aliás. Enfim, é assim que começa o meu 2013 e pro resto dele eu quero apenas perseverar em tudo o que estou fazendo (o que é um grande desafio pra mim), ano que vem revejo esse post e avalio se consegui esse feito.E vocês, cumpriram as promessas passadas ou estão brincando de tele-sena com elas e renovando todo ano? hahaha.

Sobre receber visitas na casa nova

sexta-feira, 17 de maio de 2013

Podem entrar, a porta está só encostada.

Olha, cá estou eu aqui novamente, depois de tantas idas e vindas e voltas e sumiços. Quem já conhecia meu pequeno espaço das ideias chamado The Factory of Faith Blog provavelmente está meio surpreso, mas eu decidi fazer algo além de tirar as teias de aranha daqui, resolvi fazer aqueeeeela faxina, aquela FODA que só rola de uns 6 em 6 meses, que limpa rejunte de azulejo, levanta os móveis, varre os cantinhos, joga metade das coisas inúteis fora e demora uma vida e meia pra terminar. O resultado é esse: O blog mudou de nome e já está nos conformes para receber as visitas e minha nobre presença de novo (inclusive com esse raio piscante pra recepcioná-los).  Finalmente feels like home.

E sim, tudo mudou. Desisti vergonhosamente da grade semanal porque eu não consigo me espremer numa grade de programação certa e isso me desincentivava a escrever quando tinha vontade. Mudei o nome pra algo um pouco mais pessoal, já que talvez vocês vejam mais posts desse tipo por aqui. Pra quem não sabe, Neon é um dos meus apelidos (...por causa do Neon Ballroom do Silverchair [meu amor musical] e porque...bem... quem me conhece sabe que eu tenho toda essa coisa colorida e chamativa no cabelo e no estilo) e Neon Lightning é apenas uma divagação boba que tive numa tarde de verão, sobre como os raios que cortavam os céus escuros pareciam letreiros luminosos. Quem me conhece sabe que vivo desse tipo de pensamento aleatório e bobo, e o enfoque daqui pra frente talvez seja esse mesmo, meus pensamentos aleatórios e bobos que me atormentam, hahaha. No worries, continuo com as resenhas e outros tipos de post. Na minha cabeça confusa há espaço para tudo, e aqui é como uma extensão dela.

Que fique combinado assim, então: agora que você já entrou aproveita, repara a bagunça à vontade, faz um café e pega uns biscoitos no armário pra sentar e apreciar a decoração nova. Logo mais eu apareço pra sentar-me com você e compartilhar mais alguns pedaços de mim como costumava fazer aqui. Pode ser?

Beijos e prometo que logo volto,
Neon
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