Music Monday! #6 - Bloc Party

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012



Bloc Party é uma banda britânica de Indie Rock, composta por Kele Okereke (vocal, guitarra), Russel Lissack (guitarra), Gordon Moakes (baixo, backing vocals, metalofone, sintetizador) e Matt Tong (bateria, backing vocals). Seu estilo tem influência de bandas como Mogwai, The Cure, Joy Division, Sonic Youth e , em seus trabalhos mais recentes Radiohead.
Bom, primeiro aviso logo que o post de hoje vai ser meio compacto infelizmente já que não tô na minha casa, no conforto do meu lar e etc.

Faz tanto tempo que eu conheço Bloc Party que eu nem sei direito quando conheci, mas eu tenho certeza que foi com Banquet (a música que ganhou o award de música que eu mais escutei EVER, é sério) e Helicopter, e depois de ouvir o cd inteiro, Silent Alarm, já amei de vez e pronto, já era.

A banda começou abrindo shows do Franz Ferdinand e na época em que lançou o primeiro CD, o Bloc Party foi parar no saquinho das bandas britânicas promissoras de indie tradicionalzinho tipo The Killers e Kaiser Chiefs, e foi über aclamado pela crítica. A banda era constantemente comparada com outras do mesmo gênero, então quando eles surgiram com o A Weekend In The City todo dancefloor foi uma surpresa geral (sendo considerado o pior disco de 2007 por muita gente). Então, se vocês curtirem bastante o primeiro CD, pode ser que os outros dois álbuns não te agradem muito.

O estilo da banda está inegavelmente cada vez mais dançante nos moldes do eletro-rock e isso não agradou muita gente não, mas como meu gosto musical é deveras diversificado, eu continuo gostando da banda e acho o Intimacy (último CD) ótimo. O Silent Alarm marcou bastante uma época da minha vida e é uma banda muito especial pra mim, então ouçam com carinho:
Like Eating Glass


Banquet


Pioneers


Mercury


Your Visits are Getting Shorter




" A heart of stone, a smoking gun, I'm working it out. Why'd you feel so underrated? Why'd you feel so negated? (Banquet)"


espero que gostem~

[Dia 6 - Desafio] Resenha - Eu Sou o Número Quatro

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012


Eu Sou o Número Quatro

Autor: Pittacus Lore
Editora: Intrínseca
ISBN: 9788580570137
Ano: 2011
Páginas: 350

Pra ler ouvindo:

Bloc Party
– Like Eating GlassBloc Party – Blue LightBloc Party – Positive TensionFranz Ferdinand – The Dark of The MatinéeThe Subways - Girls and BoysThe Strokes - The Modern AgeArctic Monkeys – Do me A FavourArctic Monkeys – 505Arctic Monkeys – Old Yellow BricksArctic Monkeys - Only Ones Who Know30 Seconds To Mars – Kings and Queens30 Seconds To Mars – Buddha for Mary

Resenha:


Quatro vive como um fugitivo. Nômade, já percorreu todo o Estados Unidos tentando se esconder dos mogadorianos, criaturas que já destruiram seu próprio planeta e agora estão em busca de recursos de outros lugares para que possam sobreviver. Esses áliens invadiram o planeta Lorien há algum tempo, destruindo o lugar. A única esperança do planeta são os nove lorianos que escaparam, todos possuidores de legados (super poderes, coloquemos dessa forma) e que juntos poderiam unir forças para recuperar o planeta em que nasceram. Foram enviados como refugiados para a Terra, tendo que viver como pessoas normais e correndo para cada vez mais longe caso perceberem que algum mogadoriano está próximo. Até o dia em que desenvolverem seus legados e unirem-se. Aí sim, a batalha final chegará.


Nesse meio tempo, Quatro, mais conhecido como John Smith (mas que já foi Daniel Jones e uma outra infinidade de nomes) se muda para Paradise, Ohio, junto de seu protetor Henri.Sua vida começa a mudar quando ele conhece a encantadora Sarah, faz amizade com um garoto chamado Sam e se torna rival de Mark, o Quarterback do time de futebol, ex de Sarah e bully oficial da escola. Ao mesmo tempo em que ele precisa se preparar cada vez mais para a Batalha, ele começa a se acomodar na vida aparentemente normal que possui e continuar com ela o quanto puder.


Deixo avisado aqui que gostei de Eu Sou o Número Quatro, de verdade mesmo, mas ele tem defeitos e me incomodou em algumas partes. esse livro é cheio daquela sensação de “cara, eu já vi isso antes” . A história principal foi muitíssimo bem elaborada, mas o diabo está nos detalhes, e esses sim me incomodaram um tantinho. De fato, muitas coisas nesse livro são clichê e já desgastadas até os ossos, como as histórias e pessoas não relacionadas a história central dos nove e etc. O álien que vem de um planeta distante que é dizimado por seus inimigos, as personagens terráqueas que não são exatamente bem elaboradas como por exemplo o jogador de futebol valentão, a (ex) líder de torcida linda e irresistível que por acaso é ex do valentão, a rixa com esse valentão por causa da garota, o nerd da sala que sofre bullying e é fissurado em histórias de áliens e teorias conspiratórias, o protagonista defendendo esse amigo nerd do valentão...Eu perdi a conta tentando enumerar quantas vezes essas coisas já foram utilizadas. Lorien também por si só foi meio preguiçosamente feita, quase como uma terra (até na linguagem parecida) só que mais distante, melhorada, mais velha e com habitantes super poderosos. O livro dá umas escorregadas no fato de parecer demais com a Terra e escorrega em pequenas coisas como Lorien ter pedras preciosas que vem a sustentar John e Henri na Terra, coisas essas que não “colam” muito. Compreendo que é difícil para o autor criar um planeta inteiramente novo sem tomar como referência absolutamente nada do que conhece e construir uma história a partir disso, mas até porque o autor usou um pseudônimo como se fosse um habitante de Lorien, acho que esforços maiores deveriam ter sido feitos.


E o que mais me deixou de cara é que os mogadorianos destruiram os recursos do planeta deles em busca de posses e pela ganância e agora estão invadindo planetas alheios, e os lorianos que já passaram por isso deram um jeito de Lorien ser autossustentável e o planeta os agradeceu com os super poderes para alguns. Ok, a intenção de mostrar pra nós essa questão da sustentabilidade foi boa, mas precisava esfregar na nossa cara? Me senti um pouco vendo o desenho do Capitão Planeta ou ouvindo os conselhos do He-man. A falta de ceticismo das personagens sempre me deixa irritada em livros do tipo, mas entendo que é um recurso pra acelerar o ritmo da história. Sigamos.


No entanto, antes que vocês tirem o livro do “vou ler” e nunca mais olhem nem pra capa dele, já aviso que não vale a pena. Que ele começa no óbvio ululante isso é inegável, mas a própria história dele o salva, apesar de que poderia ter sido muito melhor aproveitada. Eu não esperava muito dele, então acabei me surpreendendo. As personagens terrivelmente comuns do livro tomam rumos e fazem coisas que não são do feitio deles, as pessoas mudam e são imprevisíveis e a ação no livro é impressionante. Acabei me afeiçoando sem perceber a John, Henri, Sarah, Bernie Kosar (o cachorro de John), Sam e todo o resto.Ao terminar o livro percebi que talvez as personagens e situações que não gostei foram escritas assim para o livro não precisar se extender muito nas suas histórias e ir logo pro que interessa. Não,os clichês já citados não afetam a história principal, esta sim muito bem feita e planejada. Não é de forma alguma um daqueles livros onde dá pra você adivinhar o final na metade, e muito menos uma leitura arrastada. Apesar de ter me incomodado em diversos pontos, foram 350 páginas muito rápidas de ler e bem aproveitadas e que, apesar de tudo, surpreenderam em vários momentos. A história dos nove lorianos na Terra é boa, eu gostei muito e com toda certeza vou continuar a lê-la.
"Olho para o relógio na parede. Quase uma hora se passou. Estou suando, ofegante, perturbado com as cenas de morte que acabei de testemunhar. Pela primeira vez, entendo realmente o que aconteceu em Lorien. Antes desta noite os eventos eram apenas parte de uma história, não muito diferente de tantas outras que li nos livros. Mas agora vi o sangue, as lágrimas, os mortos. Vi a destruição. Ela é parte de quem eu sou."

Ps: ler um livro com uma personagem com o mesmo nome que eu foi, definitivamente, uma experiência nova e meio estranha, hahaha.

[Dia 6 - Desafio] Resenha - Tequila Vermelha

Tequila Vermelha
Autor: Rick Riordan
Editora: Record
ISBN: 9788501091550
Ano: 2011
Páginas: 432
Pra ler ouvindo (vai ser extenso esse, se preparem):
Robert Johnson – Crossroad Blues
Robert Johnson – Sweet Home Chicago
Robert Johnson – Terraplane Blues
Queens of the Stone Age – Go With The Flow
Queens of the Stone Age- Burn the Witch
Queens of the Stone Age – 3’s & 7’s
Kings of Leon - Wasted Time
Them Crooked Vultures - Elephants
Them Crooked Vultures - Reptiles
Tom Waits – Going on West
Aerosmith – Back in the Saddle
Kyuss – El Rodeo
Kyuss – Hurricane
The White Stripes – Black Math
The White Stripes – Icky Thump
The White Stripes - Little Bird




Resenha:

Acho que a maioria dos leitores em potencial desse livro o conhecem pelo autor. O nome Rick Riordan pesa, ele sem dúvida é um dos autores mais conceituados atualmente por causa de sua série de sucesso Percy Jackson e os Olimpianos e outros infanto juvenís. Não. É só o que eu tenho a dizer. Não corram pra essa série se vocês esperam ter mais da escrita infanto-juvenil ultra dinâmica e característica do Tio Rick (sim, pra mim é Tio Rick. Sou amicíssima dele e saímos pra tomar chá todas as quintas-feiras, caso vocês se perguntem “que intimidade é essa?”). Vão ler As Crônicas dos Kane, Os Heróis do Olimpo ou esperar por livros futuros. Quem corre pros braços de Jackson “Tres” Navarre procurando o outro Jackson vai ter uma decepção monumental. E só pra deixar registrado, acho uma idéia terrível ter entre o nome do autor (que já é um chamariz por si só, tanto que está em letras maiores que as do nome do livro) e o título, umas letrinhas que dizem “do autor da série Percy Jackson”. Acaba sendo meio ineficiente e pode enganar.


O livro não é ruim, antes que vocês saiam correndo pra tirá-lo das listas de “vou ler” e “desejado” do skoob de vocês. O conselho vale também ao contrário, se você tem certo receio em começar a ler Rick Riordan por causa da sua fama com livros infanto-juvenís, o livro serve pra provar que se seu gosto literário é versátil e pode ser adulto, a escrita de Riordan também e o livro é um começo muito bom para uma série que eu creio ser muito promissora.

Jackson Navarre, o terceiro de sua família (e, por isso, apelidado de Tres) é quem nos conta sua história. Uma década após a morte de seu pai, Tres volta para seu lar no abafado calor do sul Texano de onde tinha fugido por não conseguir lidar com as reviravoltas de sua vida. Volta para fazer investigações próprias acerca da morte do pai já que as policiais foram inconclusivas, e acaba tomando rumos e descobrindo coisas que ninguém havia pensado que estavam lá. Controverso, acaba mexendo com figurões da máfia, gente poderosa e inimigos do passado e obviamente eles não deixam por menos. Surrado, atacado, atropelado por um thunderbird azul, baleado e sendo presenteado frequentemente com coisas do tipo um teto solar no seu fusca (aberto por um tiro de .45, é claro) Tres continua sua saga enquanto outras situações do passado surgem para confrontá-lo, como sua ex abandonada há 10 anos Lilian que é sequestrada. Ele atrai confusões com um magnetismo incrível, e quando você acha que ele finalmente se livrou e o pior já passou...nãaaaao.

Tres, nosso anti-herói, é cheio de defeitos nada latentes porém cheios de singularidades que o fazem ser um personagem no mínimo interessante.Pra começar ele tem um gato chamado Robert Johnson, homônimo de um dos músicos mais conhecidos (quiçá o mais conhecido) de Delta Blues. O Bichinho tem um peculiar gosto por enchiladas e as cenas em que aparece no livro são as mais divertidas de ler. Além disso é detetive particular informal (o que significa sem licença, pois é ), mestre de Tai Chi, curioso, presunçoso e inconsequente, bebe tequila como se fosse água e resolve seus problemas das formas mais bizarras, até mesmo causando alguns deles por culpa de sua personalidade. Além disso tudo ainda é bilíngue e Ph.D. em letras e barman. Muito versátil, o rapaz.

Quanto a leitura, não nego que em algumas partes o livro se arrasta e eu que sou total e irremediavelmente péssima para guardar nomes de personagens me perdi umas quinhentas vezes entre conhecidos, amigos e inimigos de Tres. A frase que definiu minha leitura foi “pera, quem diabos é esse cara mesmo?”. A narração em primeira pessoa não facilita absolutamente nada também, já que para Tres aquilo é tudo muito familiar e isso deixa o leitor boiando várias vezes. Acho que com o decorrer da série vamos nos familiarizando como Tres e aprendendo quem é quem para sentirmo-nos como ele, apenas lembrando de velhos conhecidos, ou assim espero. Vale lembrar que a diagramação é impecável, e eu adorei o desenho da botinha de cowboy com a espora no início de cada capítulo, achei uma graça.

Eu gostei de Tequila Vermelha e tenho intenção de continuar a série. Me afeiçoei bastante ao errante e impetuoso Tres e seus cenários desérticos e abafados do Texas, e em suas investigações que seguem por meios não ortodoxos porém eficientes (e, é claro, a Robert Johnson também!). Não recomendo o livro a todos, pelos motivos já citados acima. Porém, se você está em busca de um livro adulto, regado a tequila, brigas de bar e investigações, a série foi feita para você.


“Eu voltara para casa havia apenas dois dias e já conseguira bagunçar meu frágil relacionamento com Lilian, irritara minha mãe, traumatizara meu gato e fizera pelo menos três novos amigos”



“- Navarre, as palavras “vai te catar”significam alguma coisa pra você?
-Não quando alguém as ouve com a mesma frequência que eu.”


“-Então... o que o senhor faz?
- Pesquisas, investigações. Sou bilíngue, Ph.D. em letras, mestre em artes marciais, tenho personalidade agradável.
Podia ouví-lo bater o lápis na mesa
- E então Maia o contratou para quê? Discutir literatura? Quebrar braços?
-O senhor ficaria impressionado com quão poucas pessoas são capazes de fazer as duas coisas.
[...] O entusiasmo dele não era contagiante[...]
-Já contei que sou barman?”

[Desafio] Cabôooooooo~

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

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Eu, nesse exato momento.


Pois é, hoje é segunda feira e último dia do desafio. Todos os livros já foram lidos e tá tudo resenhadíssimo aqui. Amanhã assim que eu passar em casa postarei as duas resenhas que faltam (que são dos dois livros que eu lí hoje). O saldo que levei desse desafio foi:

-Horas de sono perdidas (pfff, normal)
-Orgulhinho próprio por ter lido Guerra dos Tronos em 3 dias
-Orgulhinho maior ainda por ter lido os outros 7 livros em 3 dias (!!!)
-Uns 5 graus de miopia a mais
-Vida social = none
-Coloquei minhas leituras quase em dia. É, quase.
-A constatação oficial de que eu sou um ciborgue devorador de livros. Ou um alienígena. Ou ninja. Ou só muito desocupada mesmo.

É isso, agora se os srs. me permitem vou colocar meu sono em dia. Beijos :*

[Dia 5 - Desafio] Resenha - O Guia do Mochileiro das Galáxias


Autor: Douglas Adams
Editora: Sextante
ISBN: 9788599296578
Ano: 2009
Páginas: 204
Pra ler ouvindo:(umas escolhas deveras peculiares aqui, mas eu li ouvindo essas músicas e curti.)
Arctic Monkeys – From the Ritz To The Rubble
Arctic Monkeys – D is for Dangerous
The Smiths – Panic
Blur – There’s No Other Way
Blur – London Loves
Blur – Essex Dogs
Gorillaz – Every Planet We Reach is Dead





Resenha:
NÃO ENTRE EM PÂNICO

É numa quinta-feira terrível e idiota como todas as outras que a nossa história começa. Com um começo bem simples, aliás: começou com uma casa.


Arthur Dent, terráqueo sem lá muitas amizades e morador de uma casa que só ele parecia gostar descobre um dia antes que sua casa seria demolida para dar lugar a um importantíssimo desvio. Revoltado, decide deitar na frente do trator que iria demolí-la até que seu único amigo, Ford Prefect, um ator desempregado e meio estranho que na verdade é um alienígena que mora alí meio vizinho de Betelgeuse, resolve comunicá-lo sobre algo inadiável. Depois de ter a casa demolida, Arthur se revolta até perceber que vogons estão demolindo a terra sob o mesmo pretexto: construir um desvio importantíssimo, e o fazem sem cerimônia alguma.


Confuso, Arthur que agora é o único terráqueo sobrevivente,acaba pegando carona numa nave espacial junto com seu amigo Ford, e descobre que ele na verdade é um mochileiro que fora abandonado por 15 anos na terra fazendo pesquisa de campo para a nova edição do livro mais vendido do universo: o guia do mochileiro das galáxias, que é um guia sobre praticamente tudo. É no meio dessa confusão cheia de coisas improváveis e aleatórias acontecendo a todo momento que começa a viagem de Arthur pelo universo.

Vou tentar fazer uma resenha curta para o livro, que também é curtíssimo.Ele é todo cheio de personagens caricatos e inesquecíveis como o confuso Arthur, seu amigo Ford e o robô maníaco-depressivo Martin. Possui toda uma escrita rápida e dinâmica com capítulos curtos e estilo próprio, que inclui notas de rodapé que tomam quase toda a página e coisas do tipo. Aviso de antemão que vai ser dificílimo escolher apenas uma ou duas passagens preferidas pra deixar no final dessa resenha.

Eu me apaixonei perdidamente por esse livro. Sarcástico, bem humorado e inteligente, quase passa despercebido como nonsense mas para quem observa o mundo atual com cuidado e certo cinismo vai entender toda a sua genialidade e achar graça de nós mesmos e tudo a nossa volta. É uma crítica social na sua mais divertida e satírica forma e, como diz em sua própria contra-capa, diverte e faz pensar.

“Toda a minha vida eu sempre tive uma impressão estranha, inexplicável, de que estava acontecendo alguma coisa no mundo, uma coisa importante, até mesmo sinistra, e ninguém me dizia o que era.

- Não – disse o velho -, isso é só uma paranóia perfeitamente normal. Todo mundo no Universo tem isso.”
"- Sabe – disse Arthur , é em ocasiões como esta, em que estou preso numa câmara de descompressão de uma espaçonave vogon, com um sujeito de Betelgeuse, prestes a morrer asfixiado no espaço, que eu realmente lamento não ter escutado o que mamãe me dizia quando eu era garoto.

- Por quê? O que ela dizia?
- Não sei. Eu nunca escutei."



“É um fato importante, e conhecido por todos, que as coisas nem sempre são o que parecem ser. Por exemplo, no planeta Terra os homens sempre se consideraram mais inteligentes que os golfinhos, porque haviam criado tanta coisa ― a roda, Nova York, as guerras, etc. ― enquanto os golfinhos só sabiam nadar e se divertir. Porém, os golfinhos, por sua vez, sempre se acharam muito mais inteligentes que os homens ― exatamente pelos mesmos motivos.”

[Dias 4 e 5/Desafio] Resenha - A Arte Perdida de Guardar Segredos


A Arte Perdida de Guardar Segredos
Autora: Eva Rice
Editora: Record
ISBN: 8501076724
Ano: 2008
Páginas: 392


Ps: Perdão pela qualidade da imagem, gente. Não achei uma melhorzinha :(









E se segurem pra esse Pra Ler Ouvindo, ele vai ser gigantesco. Bring it on!


KT Tunstall - Suddenly I See
The Asteroids Galaxy Tour – The Golden Age
Queens of the Stone Age - The Lost Art of Keeping a Secret
Johnnie Ray - Just a Walkin' In The Rain
Guy Mitchell – Rock-A-Billy
Bill Haley - Rock Around The Clock
Bill Haley - Razzle Dazzle
Bill Haley and his Comets - See You Later Alligator
Elvis Presley – Mystery Train
Elvis Presley – Heartbreak Hotel
Peggy Lee - He's A Tramp
Peggy Lee – Fever
Billie Holiday – If The Moon Turns Green
Billie Holiday – You Go to My Head
Billie Holiday – Autumn in New York

Resenha:

A Arte Perdida de Guardar segredos foi um livro que me encantou do começo ao fim. Eu nem percebi suas páginas passando e terminei-o querendo mais e mais. É totalmente baseado em coisas improváveis que acontecem na vida da protagonista e como cada coisa que se soma a essa bola de neve acaba afetando sua vida de uma forma que ela nem imaginava, e para sempre. Tudo se inicia quando Penelope aguarda seu ônibus no ponto e é abordada por uma charmosa estranha que com todo esse magnetismo a convence em cinco minutos a dividir um taxi e tomar um chá com sua tia Clare. Nesse chá, conhece a igualmente charmosa Clare e o exótico e interessante Harry, um ilusionista dono de um jeito totalmente diferente e peculiar de lidar com a vida.


Penelope parece ter sempre o foco da sua atenção em outras pessoas, o que a difere da maioria das protagonistas.Ela sempre se sentia ofuscada por algo: Seja seu irmãozinho aspirante a astro do rock bonito e encrenqueiro, a beleza arrebatadora de sua mãe, a irreverente e linda amiga Charlotte ou o peso do nome do lugar em que mora: Milton Magna Hall, uma casa centenária e famosa e a ponte da Londres atual pós guerra com seus tempos antigos, que possui suas histórias e seus “fantasmas”. É só quando o imprudente Harry a convida sem a menor cerimônia a frequentar festas da alta sociedade para fazer ciúmes em sua ex namorada que ela começa a desabrochar e tomar consciência de seu próprio brilho, em meio a figurões americanos ricos, shows de astros da música, garotas instáveis, jantares no Ritz e sapatos Dior.

Apesar da história que parece não prometer muito, o desenvolver do livro é ótimo, não é previsível como parece e passa por muitas reviravoltas.Eu estava com saudade de ler algo não tão focado nos cenários e sim nas personagens, e elas são encantadoras e imprevisíveis. No começo, a idolatria de Penelope por sua amiga Charlotte e pela beleza de sua mãe me davam nos nervos, mas não é assim mesmo que acontece na vida? É um espelho de seu próprio comportamento que ela esteja sempre sob a sombra de alguém, o que muda com o decorrer da história.

A Arte Perdida de Guardar Segedos é cheio de um charme todo especial, improvável, gostoso de ler. Os anos 50, festas caras no Ritz, as extravagâncias do pós guerra, os Teddy Boys, os cantores que deixavam as adolescentes em histeria, as roupas, as singularidades de cada personagem e o cenário inglês onde tudo isso ocorre, tudo nele é delicioso e divertido sem ser óbvio. As cenas entre familias (seja a familia de Charlotte ou a de Penelope) são cheias daquelas peculiaridades que as famílias possuem, tornando tudo um pouco mais real e próximo. Tem toda uma elegância própria que vale a pena ser descoberta e apreciada a cada página. Fico indignada que um livro tão gracinha desses não seja lá muito conhecido.

"[...] Inigo , que passava a maior parte do tempo na escola, era ainda pior do que eu. Ele vendia chocolates, gibis e até cigarros para seus colegas mais novos no mercado negro.[...]

-Você não acha que deveria parar de gastar tanto dinheiro consigo mesmo e dar um pouco para Mama?
[...]
- Não quero dar a Mama meu dinheiro sujo – Disse Inigo, sério. – É derramá-lo sobre Magna. Seria como amaldiçoar o lugar.
- Mas gastar consigo mesmo é aceitável.
- Já vendi minha alma ao diabo pelo bem do rock’n’roll.
-Ah, você tem resposta para tudo - disse eu, contrariada."

“[...]
-Ela diz que eu sou preguiçosa.
- Você é?
-Claro. Qualquer pessoa sensata é.Você não?”

“Eu não conseguia afastar a sensação de que algo importante, algo vital, estava rondando além do meu alcance, algo que mudaria tudo para sempre. Aceitar tomar chá com Charlotte tirara minha vida de seu curso normal, me afastara das trilhas familiares pelas quais eu viajara por toda a minha vida até então.”

[Dia 4 - Desafio] Resenha - Coraline

domingo, 12 de fevereiro de 2012

CoralineAutor: Neil Gaiman
Editora: Rocco
ISBN: 9788532516268
Ano: 2003
Páginas: 160

Pra ler ouvindo:
The Dissociatives - Horror With EyeballsThe Dissociatives - RainBlood Red Shoes - It's Getting Boring by the SeaBlood Red Shoes - ADHDTommy Heavenly6 - Papermoon


Resenha:

Começamos o livro com Coraline, que mudou-se para uma casa nova. Num dia de chuva, entediada e cansada de não receber a devida atenção de seus sempre ocupados pais e de ser ignorada pelos vizinhos que insistem em falar seu nome errado, ela decide explorar a casa nova. Contou tudo o que era azul (153). Contou as janelas (21). Contou as portas (14). Só que dessas portas, todas davam a algum lugar exceto por uma.


A seguir, ela descobre que essa porta leva a uma casa. Uma casa exatamente igual a sua, com exceção de que a comida é boa, os vizinhos a chamam pelo nome certo, seus pais lhe dão atenção e ela tem exatamente tudo o que deseja. Para permanecer nesse mundo, é necessário que ela faça apenas uma coisinha... que pode acabar sendo irreversível.

Coraline é uma criança imaginativa e irrequieta, meio de saco cheio com o mundo em que vive. Sem querer, acaba encontrando esse outro mundo que parece ser um espelho do que ela já conhece porém com modificações que fazem toda a diferença: seus outros pais tem tempo de preparar sua comida de forma decente (sem congelados e coisas do tipo) e de brincar com ela. Ela tem brinquedos vivos, seus vizinhos são interessantes e tudo parece voltado para ela do jeito que ela imaginava que queria. Logo, ela precisa decidir se quer permanecer nesse mundo perfeito ou voltar as regras chatas do convívio com os pais quando estes subitamente desaparecem do mundo real. Ela passa a desconfiar desse mundo perfeito e de sua outra mãe, e sai em busca de seus pais com a ajuda de seu amigo, um gato a quem conheceu. Acaba por descobrir que existem muitos outros mistérios nesse outro mundo do que ela imagina e que precisa resolver. Apesar da aparência mais bonita e prazerosa da sua outra casa e seus outros pais, Coraline percebe que há algo errado e toma consciência de que as coisas são melhores do jeito que são, com suas falhas e defeitos.

Foi mais um dos casos o qual eu assisti o filme antes de ler o livro, e um dos poucos os quais eu posso afirmar que foi o mais fiel possível, com poucas modificações aqui e acolá. O livro ajuda também, é curtinho e dá para ser colocado num filme sem maiores dificuldades.

Coraline pode pegar de surpresa muitos desavisados. É um infanto-juvenil, sim, mas não por isso deixa de ter todo um toque sombrio característico dos livros de Neil Gaiman, e as ilustrações ajudam muito nesse sentido. Para os não familiarizados, ele é quase como um Tim Burton dos livros, que dosa a fantasia necessária para a história mas sem deixar de lado uma parte meio macabra. É mais um daqueles livros que são sim “para crianças” mas que não subestimam a inteligência destas, despertam interesse em todas as idades e possuem mensagens que talvez as crianças não compreendam só num primeiro momento. É fantástico como tudo o que eu tive a oportunidade de ler do Neil Gaiman (sou fã mesmo, julguem-me) e é mais um daqueles livros pra crianças que você devora em algumas horas, sem pretensão nenhuma mas que te fazem acabar a leitura com um sorriso bobo na cara.



"E a despeito de si mesma, Coraline acenou com a cabeça. Era verdade: a outra mãe a amava. Amava-a, no entanto, como um avaro ama o dinheiro ou um dragão ama seu ouro. Coraline sabia que aos olhos de botões da outra mãe, ela era uma posse, nada mais. Um bicho de estimação tolerado, cujo comportamento não era mais divertido.


[Dia 4 - Desafio] Resenha - Laranja Mecânica

Laranja Mecânica
Autor: Anthony Burgess
Editora: AlephISBN: 9788576570035Ano: 2004Páginas: 199


Pra ler ouvindo:Ludwig Van Beethoven, de preferência a nona. Eu sei, eu sei, clichê até o osso, mas eu não conseguiria ler esse livro ouvindo qualquer outra coisa.



Resenha:


Num futuro distópico em uma sociedade capitalista mas ainda assim totalitária, Alex e seus droogs são uma gang de adolescentes como tantas outras, em busca de, digamos, emoções fortes. Movidos a Moloko Velocet e sinfonias clássicas, saem as noites para toltchocar, rasgarazgar e o bom e velho vinte-contra-um. Traído pelos seus companheiros de gangue e após ter cometido involuntariamente um assassinato, Alex é preso e submetido ao controverso tratamento Ludovico que tem como objetivo torná-lo um cidadão de bem como outro qualquer. Mas não é bem isso que acontece.

É sempre meio amedrontador fazer resenha de livros como Laranja Mecânica (que junto com Admirável Mundo Novo e 1984 são a tríade clássica distópica). Por eu ser fã dos livros atuais desse gênero, foi muito esclarecedor ler o que iniciou e abriu a porta para todos os outros livros. Com uma narrativa rápida e cheia de estranhamento inicial, o livro te joga numa sociedade futurística onde a violência causada por jovens arruaceiros é parte da vida. Alex conta-nos suas histórias como se vivessemos naquele mundo que, embora estranho para nós(como se fôssemos velhos, ou vekios, demais para entender), para ele é a realidade. Com seu dialeto, suas roupas características e o gosto por sangue, estupro e violência de modo geral, as gangues apenas saiam despretensiosamente por aí para fazer o que faziam sempre e matar o tédio.

O primeiro estranhamento geral que o livro causa é o dialeto Nadsat. Com termos eslavos, o infantil rhyming slang (um modo de falar baseado em repetições e inversões de sílabas e trocadilhos, como as crianças fazem) e alguns termos de linguagem rebuscada mesclados, o livro parece incompreensível nas primeiras páginas. Para os que acham necessário, na edição brasileira existe um glossário ao final do livro pra iluminar vossos rassudoks e fazer o leitor ponear o que está lendo. Preferi não ler o glossário antes já que queria experimentar toda a sensação de estranhamento que o autor queria que sentíssemos (nas edições inglesas nunca houve um glossário) e usar de dedução mesmo. Logo que se pega o ritmo na leitura, a dedução se torna mais fácil e o livro mais compreensível e horrorshow, e torna o mundo das personagens mais crível. Deixo aqui meus cumprimentos a tradução brasileira que fez o máximo possível para que a tradução do Nadsat fosse eficiente sem perder os significados e sentidos originais, então não pulem as primeiras páginas do livro e leiam as notas de tradução pois elas são interessantes e esclarecedoras.

O segundo grande estranhamento do livro foi que, como muitos, eu havia assistido primeiro ao filme de Kubrick e, ao contrário da versão cinematográfica, as personagens todas são muito jovens ( Alex tem apenas quinze anos quando vai preso ). Isso é um ponto fundamental no livro, pois apesar dos hábitos extremamente aquém de sua idade, Alex, seus droogs e as gangs de modo geral são sempre vistas como uma delinquência juvenil, uma diversão sádica adolescente que vai embora quando eles crescem e precisam arranjar empregos ou vão presos. Alex, Vosso Humilde Narrador, não se vê como um criminoso sujo como seus companheiros na prisão mas sim como apenas um jovem que faz o que gosta e considera-se acima dos outros por mais paradoxal que isso seja. Até o nome do dialeto que usam para falar é relacionado a isso, pois nadsat é como eles se referem aos adolescentes. Além disso, as preocupações e modos de todos são bastante infantís como estar no alto da moda (o que é considerado de extrema importância no livro), pertencerem a um grupo, serem conhecidos por seus “feitos” e temidos e o fato de falarem em termos antigos e rebuscados como cavalheiros quando precisam passar a imagem de bons rapazes ou de que são crescidos o suficiente.


Laranja Mecânica é, acima de tudo, um livro o qual é necessário muito cuidado para lê-lo, senão é possível que se perca o foco, as questões e o direcionamento aos quais ele leva para se perder e julgar as páginas e páginas de violência sem sentido. Anthony nos leva a questionar a que ponto o ser humano deve ser privado de seu livre-arbítrio para com os outros para que se torne um “cidadão de bem” e se é possível que um “cidadão de bem” se ajuste a uma sociedade onde a violência, vingança e todo o resto é comum e muitas vezes até necessária nem que seja em defesa própria. O principal de todos os questionamentos é: A violência sem sentido ou propósito é tão desumana quanto tirar de um ser as suas escolhas? O que difere um do outro?

Isso se torna perfeitamente claro quando Alex é manipulado e traído do começo ao final do livro.Começa como um adolescente sem escrúpulos e delinquente cujo ideal de diversão é causar o terror nas ruas da cidade com sua gangue. É traído pelos seus companheiros cansados de sua “liderança” e para na prisão, onde é traído também pelos companheiros de cela que o acusam de ter matado outro presidiário. É logo após esse acontecimento, ainda na prisão que ele é submetido a um tratamento que o faz ter uma aversão imensa a qualquer tipo de violência sendo incapaz de reagir ou provocar qualquer ação desse tipo sem se sentir terrivelmente mal fisicamente. Assim que sai da cadeia, seus inimigos criados ao longo dos anos de delinquência voltam para ter dele sua vingança, se aproveitando do estado atual indefeso do então criminoso. Julgado pelo seu passado, também é expulso da casa dos pais. Acaba se encontrando com um destes que foram afetados por seus atos após ser espancado por policiais (alguns seus ex-droogs e membros de gangues, já crescidos e com um emprego que sacia toda a sua vontade de violência), que quer usá-lo em jogos políticos para tirar o governo atual e chamá-lo de cruel desumano, chamando ao protagonista de vítima da sociedade. Ele é apenas uma ferramenta que pode depor a favor ou contra o governo, e é usado como tal assim que sai do tal tratamento. Ele é jogado de um lado para o outro, ora como vítima, ora como um perigo para a sociedade. E isso só depende de quem o está vendo e quais os seus interesses.


Pra não deixar essa resenha (ainda mais) longa e maçante, o veredito é que 199 páginas é pouco para Laranja Mecânica. O livro é pequeno mas não é um clássico a toa, pois leva a questionamentos muito mais grandiosos do que suas páginas. Quem gostou do filme, quem se interessa pelo tema ou quer arriscar ler algo crítico desse gênero, podem ler que não vão se arrepender, o livro está mais do que recomendado.


“Então, o que é que vai ser, hein?”
“E aí, ó, meus irmãos, o show de filme começou [...] E aí dava para videar um velho descendo a rua, muito starre, e aí pularam em cima do vek starre dois maltchiks vestidos no auge da moda atual [...]. Dava pra sluchar os gritos e gemidos dele, muito realistas, e dava até mesmo para sentir a respiração pesada e ofegante dos dois maltchiks que aplicavam os toltchoks. [...] Então, em close, a gúliver do vek surrado, e o króvi fluindo vermelho e lindo. É gozado como as cores do mundo real só parecem reais de verdade quando você as videia na tela”


[Dias 3 e 4 / Desafio] Resenha - Sereia


Sereia - Sereia (Livro Um)
Autora: Tricia Rayburn
Editora: Verus
ISBN: 9788576861089
Ano: 2011
Páginas: 306

Pra ler ouvindo:
The Subways – Girls and BoysThe XX – CrystalisedThe XX – IslandsRasputina – Deep in the Sweet waterFoals Olympic AirwaysOasis I'm Outta TimeFlorence + The Machine – What the Water Gave Me




Resenha:

Começamos esse livro sendo guiados pela protagonista, Vanessa, a garota mais medrosa do mundo (ou pelo menos é o que ela acha). No seu dia-a-dia, Vanessa tem a ajuda de sua irmã Justine, que é seu exemplo de como uma garota deve ser, a enfrentar todas as suas fobias.
Naquele ano, quando vão passar as férias em Winter Harbor, tudo muda. A corajosa Justine salta para um mergulho de um penhasco e dessa vez não volta, e seu namorado Caleb desaparece logo após o ocorrido.

Com a irmã morta, Vanessa se sente perdida e apesar de todos os acontecimentos resolve voltar para a casa de veraneio e descobrir o que se passou com a irmã, acreditando que sua morte não foi meramente acidental. Enquanto isso, outras mortes misteriosas com o mesmo modus operandi acontecem em Winter Harbour, deixando a cidade inteira em estado de alerta. Ela e o irmão de Caleb decidem descobrir os mistérios escondidos naquela cidade e acabam descobrindo muito, muito mais.

O livro me atraiu por ser único no tema (que eu tenha ouvido falar, ao menos). A premissa de trazer sereias ao mundo atual e real me pareceu interessante e eu queria ver como seria desenvolvida. Para a minha surpresa, a questão de balancear a mitologia com a realidade foi muito bem feita. A sereia aqui é a sereia clássica e sedutora que atrai os homens para sua ruína, porém com alguns toques modernizados para que pudessem se encaixar no roteiro.

A narrativa de Tricia é leve e fluida, o que torna Sereia uma leitura incrivelmente rápida. O grande problema é que muitos pontos chave de suspense no livro são incrivelmente previsíveis, mas não se preocupe: quando você acha que “matou” o livro lá pela primeira metade, começam a surgir mil outros questionamentos e dúvidas. Algumas das personagens são sem graça também, mas eu espero que dê tempo de desenvolvê-los no resto dos livros. Outra grande característica do livro que pode irritar muita gente é que são deixados muitos pontos soltos na trama. Muitas perguntas que são feitas ao longo do livro não são respondidas no final, deixando aquela ambiguidade bem característica de certos livros que diz “isso não é um fim, é só o começo”. Fechou os pontos principais do livro como a morte de Justine e (obviamente) as sereias, mas deixou uma porta aberta para o futuro da protagonista que ainda será desenvolvido no resto da série. Da minha parte, eu gostei do final e acho que o livro nem precisava ter uma continuação. Vai ser difícil continuar a fazer com que a trama seja igualmente interessante no resto dos livros.

Apesar de tudo, as criaturas mitológicas aqui são apenas o pano de fundo para a história, que é igualmente (ou até mais) focada nos relacionamentos da protagonista com o mundo em que vive, as pessoas e ela mesma. Até a metade final do livro as sereias não são nem mencionadas, dando espaço para conhecermos mais a vida e a mente de Vanessa, e acompanhar sua evolução. Assim que a irmã, sua fortaleza e exemplo de coragem morre, ela se vê obrigada a amadurecer mais rápido e encarar ela mesma o que tiver de ser. E ela precisa sair do mundo que criou para proteger a si mesma e acaba descobrindo que sabia menos sobre ela própria, sua família e sua irmã do que achava que sabia, o que a incentiva a continuar descobrindo o possível. Como um bom Young Adult, o foco é o protagonista e seu desenvolvimento e crescimento pessoal, mas faz isso sem deixar a narrativa batida e maçante (o que é quase um milagre). O livro cumpre tudo a que se propõe e eu gostei. Recomendo pra quem quer um YA levinho, mas com certo charme mitológico.

"Fechei os olhos. Tudo o que eu queria era saber o que realmente havia acontecido com Justine e o que ela vinha fazendo nos meses que antecederam sua morte. Queria apenas algumas respostas para entender por que ela saltou naquele momento, e então lidar com isso e seguir em frente. Como eu havia passado disso para o que estava acontecendo agora?"

[Dia 3/Desafio] Resenha - A Guerra dos Tronos

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012



A Guerra dos Tronos - As Crônicas de Gelo e Fogo (Livro Um)
Autor: George R. R. Martin
Editora: LeYa
ISBN: 9788562936524
Ano: 2010
Páginas: 591


Pra ler ouvindo:Björk - Hunter, Rasputina - A Retinue of Moons/ The Infidel is Me, Antonio Vivaldi - Winter (HAHAHAH)




Resenha:



Com uma narração singular, o épico centrado em jogos políticos entre coroas e com 591 páginas que parecem mil, não vou mentir, assusta a primeira vista. Mas, assim que a leitura se inicia ele surpreende e muito.


Desde que Eddard Stark, lorde de Winterfell, é chamado por seu amigo (e rei) Robert Baratheon para assumir o cargo como Mão do Rei após a morte repentina de Jon Arryn, toda a sua vida começa a virar uma avalanche desencadeada por conspirações políticas e jogos de tronos e sua família é posta a perigo. Guerras entre reinos, conspirações e tramas políticas ocorrem em um lugar onde o verão dura anos e o inverno mais ainda. E ele está chegando.


Visto como o novo Senhor dos Anéis, acho-o um épico de mesmo peso. A narração mostra pontos de vista de diversas personagens porém não as acompanha especificamente, apenas continua do tempo onde a outra narração (vista por outra personagem) parou no capítulo anterior, tornando a narração linear e sem precisar explicar o que todos estavam fazendo o tempo todo. Isso auxilia tremendamente o leitor a perceber como foram refletidos os acontecimentos na vida de cada uma delas sem perder tempo descrevendo a mesma coisa mil e uma vezes com diferentes ângulos. Da minha parte, achei genial.


As personagens merecem destaque. São bem desenvolvidas, distintas e marcantes na história o que facilita a nossa vida pois mesmo com a quantidade, dá pra gravar bastante os nomes da maioria delas. O grande problema é lembrar a quais casas elas pertencem (e que os sete deuses abençoem o apêndice no final do livro que explica isso bem direitinho) e a quem essas casas são leais ou não, mas até a metade do livro tudo fica bem claro. As personagens são muitíssimo bem construídas, e evitam aquela divisão entre “bons” e “maus”. Cada um tem seus motivos para ser uma peça nesse grande xadrez que são as guerras de tronos: Seja honra, lealdade, vingança, ambição, paz ou morte. Gostei muito dessa visão mais humana das personagens, e é incrível se afeiçoar a eles com todos os seus defeitos e falhas, virtudes e glória. E odiá-las por inteiro também.


É um livro agradavel e muito fluido, apesar do tamanho. As descrições são feitas na medida certa e o sentimento geral é de ansiedade para saber o que acontece a cada uma das personagens quando o capítulo delas se encerra. É para ser lido com calma e atenção aos detalhes, pois todos eles valem muito a pena e podem tornar-se algo grandioso depois. George R.R. Martin definitivamente soube como escrever magistralmente uma história tão rica e tão cheia de cenários e tramas entrelaçadas. E, lembrem-se, o inverno está chegando.
“O Alto Septão disse-me uma vez que à medida que vamos pecando, assim sofremos. Se isso for verdade, Lord Eddard, diga-me... por que são sempre os inocentes a sofrer mais, quando vocês, os grandes senhores, jogam o seu jogo dos tronos? Pense sobre isso, se quiser.”

[Dias 1 e 2/Desafio] - Meu progresso até agora e etc

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012



Bem, nesse desafio de agora não vai dar pra começar logo de cara fazendo uma ou duas resenhas por dia, já que como previsto eu só vou acabar A Guerra dos Tronos amanhã. Só passei pra dar um update do desafio e deixar vocês atualizados. Estou na página 403 de 591 e vamo que vamo. Amanhã já começam as resenhas ~

2 Fast 2 Furious Book Challenge (eeeeeita)

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

Hoje é terça feira, dia de Text Tuesday. Quer dizer, é dia mas não vai acontecer, assim como o resto da programação da semana também não. Antes que voces comecem a jogar tomates em mim e me chamar de blogueira irresponsável e relapsa, o culpado disso é um desafio ainda pior do que o passado, porque eu sou inconsequente, maluca, bookaholic e não sei a hora de parar, e além de tudo sou ambiciosa e quero passar na frente de todos os blogs que já estão adiantando as metas de leitura. Abram alas para o..
2 fast 2 furious, 8 livros em 6 dias!


Tá, daí vocês vão falar “mas bah, o outro eram 7 livros em 5 dias, mesma coisa”. É, eu sei. Mas pra provar que esse blog é cheio de espírito espartano, eu não vou esperar a semana do carnaval senão fica fácil demais. Vou ler isso tudo agora durante as aulas, intercalar leitura excessiva com as minhas saídas de final de semana e já aviso que os desafiantes são de lascar e vai ter dia que eu vou ler uns 3 livros. Chega de blablablá, que eu tô sem tempo pra perder.Que entrem os desafiantes da semana!




1- A Guerra dos Tronos – George R.R. Martin

da LeYa, com 591 páginas que parecem 1700 (e um tamanho de letra minúsculo que, diga-se de passagem, vai aumentar minha miopia uns 5 graus)

Sinopse:
Quando Eddard Stark, lorde do castelo de Winterfell, recebe a visita do velho amigo, o rei Robert Baratheon, está longe de adivinhar que a sua vida, e a da sua família, está prestes a entrar numa espiral de tragédia, conspiração e morte. Durante a estadia, o rei convida Eddard a mudar-se para a corte e a assumir a prestigiada posição de Mão do Rei. Este aceita, mas apenas porque desconfia que o anterior detentor desse título foi envenenado pela própria rainha - uma cruel manipuladora do clã Lannister. Assim, perto do rei, Eddard tem esperança de o proteger da rainha. Mas ter os Lannister como inimigos é fatal - a ambição dessa família não tem limites e o rei corre um perigo muito maior do que Eddard temia. Sozinho na corte, Eddard também se apercebe que a sua vida nada vale. E até a sua família, longe no norte, pode estar em perigo.(Skoob)



2- Sereia – Tricia Rayburn
da Verus Editora, com 306 páginas.

Sinopse:
Vanessa Sands, de 17 anos, tem medo de tudo – do escuro, de altura, do mar –, mas sua destemida irmã mais velha, Justine, está sempre por perto para guiá-la a cada desafio. Até que Justine vai mergulhar num precipício uma noite, perto da casa de veraneio da família em Winter Harbor, e seu corpo sem vida aparece na praia no dia seguinte[...] Depois de descobrir que Justine estava escondendo diversos segredos, Vanessa volta para Winter Harbor, esperando que Caleb, o namorado de sua irmã, possa esclarecer algumas coisas, mas o garoto está desaparecido. [...]Vanessa e Simon, irmão mais velho de Caleb, unem forças para investigar os estranhos acontecimentos e, no caminho, a amizade de infância se transforma em algo mais.
(Skoob
)


3- Laranja Mecanica – Anthony Burgess
da Aleph, com 199 páginas.

Sinopse:
Narrada pelo protagonista, o adolescente Alex, esta brilhante e perturbadora história cria uma sociedade futurista em que a violência atinge proporções gigantescas e provoca uma reposta igualmente agressiva de um governo totalitário. A estranha linguagem utilizada por Alex - soberbamente engendrada pelo autor - empresta uma dimensão quase lírica ao texto. Ao lado de "1984", de George Orwell, e "Admirável Mundo Novo", de Aldous Huxley, "Laranja Mecânica" é um dos ícones literários da alienação pós-industrial que caracterizou o século XX. Adaptado com maestria para o cinema em 1972 por Stanley Kubrick, é uma obra marcante: depois da sua leitura, você jamais será o mesmo.
(Skoob)


4- Coraline – Neil Gaimanda Rocco (pelo selo Jovens Leitores), com 159 páginas.

Sinopse:
A história de Coraline é de provocar calafrios. A narrativa dá muitas voltas e percorre longas distâncias, criando um ‘outro’ mundo onde todos os aspectos de vida são pervertidos e desvirtuados para o macabro. Ao mesmo tempo sutil e cruel, o autor gosta de desafiar as imagens simples dos livros infantis tradicionais.
(Skoob
)
5- A Arte Perdida de Guardar Segredos – Eva Rice
da Record, com 389 páginas
Sinopse:
Ambientado na Inglaterra pós-II Guerra, o livro é um delicioso relato sobre as mudanças sociais experimentadas pela classe média. Penelope Wallace é uma garota de 18 anos, que não agüenta mais a mãe e o irmão, e cujo sonho é arranjar um namorado e freqüentar a efervescente cena cultural de Londres.

"O notável talento de Rice para criar personagens singulares nessa história memorável realça sua presença como uma nova e estimulante voz na ficção literária." Publishers Weekly

"Encantadoramente improvável... repleto do charme dos anos 1950 e com sua própria mágica secreta." Marie Claire
(Skoob
)


6-O Guia do Mochileiro das Galáxias – Douglas Adams
da Sextante, com 204 páginas
Sinopse:
Arthur Dent tem sua casa e seu planeta (sim, a Terra) destruídos em um mesmo dia, e parte pela galáxia com seu amigo Ford, que acaba de revelar que na verdade nasceu em um pequeno planeta perto de Betelgeuse.

Considerado um dos maiores clássicos da literatura de ficção científica, este livro vem encantando gerações de leitores ao redor do mundo com seu humor afiado. Este é o primeiro título da famosa série escrita por Douglas Adams, que conta as aventuras espaciais do inglês Arthur Dent e de seu amigo Ford Prefect. A dupla escapa da destruição da Terra pegando carona numa nave alienígena, graças aos conhecimentos de Prefect, um E.T. que vivia disfarçado de ator desempregado enquanto fazia pesquisa de campo para a nova edição do Guia do Mochileiro das Galáxias, o melhor guia de viagens interplanetário. Mestre da sátira, Douglas Adams cria personagens inesquecíveis e situações mirabolantes para debochar da burocracia, dos políticos, da "alta cultura" e de diversas instituições atuais. Seu livro, que trata em última instância da busca do sentido da vida, não só diverte como também faz pensar.
(Skoob)


7- Tequila Vermelha – Rick Riordan
da Record, com 428 páginas.
Sinopse:
Jackson 'Tres' Navarre retorna para sua cidade natal dez anos após o assassinato de seu pai. Porém, o caminho para as respostas em San Antonio, Texas, é bem mais difícil do que se pensava. Encontros com a máfia, jogos políticos, corrupção e dramas familiares tentarão desviar Tres da verdade ou matá-lo, o que acontecer primeiro.(Skoob)


8- Eu Sou O Número Quatro – Pittacus Lore
da Intrinseca, com 350 páginas.
Sinopse:
Nove bebês aliens estão se escondendo entre os seres humanos, eles fugiram de seu planeta natal, Lorien, para se esconder na Terra. Uma espécie invasora, os Mogadorians, destruíram seu planeta, e seguiram eles a Terra para caçá-los. Cada um dos nove aliens é dado a um tutor para desenvolver seus poderes sobre-humanos enquanto se tornam adultos e lhes são atribuídos números. Estas últimas crianças de Lorien só pode ser mortas na sequência de seus números.
(Skoob
)

Logo amanhã vou dar a largada, hoje vou dormir cedo (raridade) pra não morrer de cansaço. Que a força esteja comigo, gente, tá feia a coisa.

Escrevi ouvindo:
You Made Me Like It - 1990s
1,2,3,5 - Blubell
Música - Blubell
1,2,3,4 - Feist
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