Sweet Sunday #2 - Sobre a odisseia de ontem e Scott Westerfeld no Brasil

domingo, 25 de novembro de 2012



...E volta a dona do blog arrependida, com as leituras atrasadas e etc e tal. Eu sei que estou entrando mais em hiatus do que as bandas que eu gosto (qualquer dia desses escrevo a vocês sobre minhas odisseias escolares que fizeram eu me ausentar daqui), mas vaaaaaamos falar de coisa boa?


Esse sábado agora eu fui pra sessão de autógrafos do Scott Westerfeld  e da Justine Larbalestier na Livraria Cultura da Av. Paulista. Vivi uma pequena ilíada pra conseguir chegar lá, e dessa parte basta dizer que esperei minha amiga no metrô durante aproximadamente duas horas, inclusive recebendo reprimenda do guardinha porque não podia ficar sentada no chão do metrô. Vendo pelo lado bom, nesse período eu quebrei meu jejum literário e li metade de Midnighters . Assim que me liberarem de meus afazeres escolares eu quero terminar o livro, que pra variar conseguiu me cativar assim como os outros livros do Scott.


Algumas ligações a cobrar e mais uma série de encontros e desencontros, consegui me encontrar com a Maiary e marcamos com mais uma amiga nossa de nos encontrarmos todas na Cultura.  Deu tudo certo. Nem eu sei como. Chegando lá, a fila de autógrafos estava quilométrica. O negócio tava tão enorme que assustou muita gente que estava na livraria, e eu tive meu momento “posso ajudar?” umas duas ou três vezes que me pararam pra perguntar se aquilo era a fila do caixa [!!!], hahaha. Após mais alguns momentos de balbúrdia e algazarra na fila, tivemos nosso momento tietes com o Scott.

(eu e meu cabelo desbotado na fila, portando o meu Midnighters comprado na Bienal do Livro)


A Maiary tratou de me empurrar pra ir primeiro falar com ele, e eu como toda fangirl boba estava nervosa e gelada, muito mesmo. Alguns meses atrás, quando ainda nem sabíamos da futura passagem dele pelas terras tupiniquins, eu comentei com ela que se ele viesse ao Brasil eu ia querer tirar uma foto dos sapatos dele numa referência ao livro “Tão Ontem”, onde o caçador de tendências Hunter pede a Jen, uma Inovadora, pra tirar uma foto dos cadarços diferentes dela. Eu que sempre tive um pouco desse espírito de Inovadora, além de outras coisas já modificava meus cadarços também e já fui parada por alguns coolhunters durante a vida, me identifiquei com o livro e queria fazer essa referência. Portando a câmera dela, coragem e com o inglês em dia, entreguei o livro pra ele autografar e pedi a foto.


“Can I take a picture of your shoes?”
“Sure...of my shoes?” Ele me olhou com uma cara muito surpresa, deve ter sido no mínimo o pedido mais inusitado que ele recebeu no dia.

“Yeah, your shoes...like in So Yesterday!”
Ele riu quando eu falei isso, depois da surpresa inicial ele pegou a referência.
“Okay, but no shoelaces unfortunately...”
“Oh, not a problem.”

                           
Sapatos do Scott

 Logo após esse diálogo, eu já estava amaldiçoando o fato de estar transparecendo meu fangirl-ism no meu inglês provavelmente mal pronunciado (tenho problemas em falar inglês com gente que tem inglês como primeira língua, puro nervosismo bobo) e já não conseguia parar de sorrir, enquanto ele terminava de autografar meu livro. Segue o diálogo.

“Hey, I got inspired by your book and created my shoelace style, look, it’s a star.”
Dei uma acertada na minha polaina e mostrei pra ele a estrela que tinha feito do lado do sapato, com meu cadarço.


“Oh, that’s cool! Can I take a picture of your shoes?”
“Sure!”

(foto que o Scott tirou do meu sapato, reparem no cadarço do lado, é uma estela)

Eu estava tremendo demaaaais (vida maldita). Pronto, alguém por favor me enterre. Scott Westerfeld está tirando uma foto do meu sapato.
 Assim que ele tirou a foto com o celular dele,  ele me perguntou se eu estava no twitter e se tinha falado sobre ele recentemente. Disse que ia mandar um tweet pra ele hoje, e que meu twitter era neonballroom_, como o CD do Silverchair.


“Silverchair? Cool!”


Pode ressuscitar pra morrer de novo? Era meio óbvio que ele conhecia a banda porque mora em Sydney boa parte do tempo, mas alguma coisa no meu cérebro entrou em curto quando escutei ele falar o nome da minha banda favorita. Despedida, nice to meet you, aquele “obrigada” com sotaque, um aperto de mão, uma foto oficial (Se a foto saiu boa, quando liberarem dou update aqui e posto. Mas aviso que provavelmente vocês nunca vão ver essa foto). [PS: o update foi feito e está no fim do post]


Na fila mesmo eu recebi um bloquinho e dois marcadores de página (que eu usei pra marcar onde tinha parado em Midnighters, porque estava marcando a página com um cartão de loja já que tinha sido pega desprevenida e não sabia que iria lê-lo). O bloquinho tem os nomes do Scott e da Justine e é lindo. Na hora a coragem e a cara de pau cresceram dentro do meu ser, olhei pro bloquinho e como já estava lá mesmo, fui pro lado da Justine e disse pra ela que infelizmente não tinha o livro dela e perguntei se ela poderia assinar no bloquinho. Ela me olhou, sorriu, disse que sim e perguntou meu nome. Eu, pensando em facilitar a vida dela, falei com a pronúncia em inglês mesmo. Ela parou um pouquinho e falou “Sarah” como em português mesmo e... amoooor ♥.



Troquei mais algumas palavrinhas com ela, tiramos uma foto e ela falou algumas coisinhas em português, uma fofa. Gente, ela é linda. Mesmo. Muito. Juro que fiquei desconcertada com os dois de tão lindos e simpáticos que eles são. Sobre esse casal: I WILL GO DOWN WITH THIS SHIP.  Saí de lá e esperei minhas amigas, peguei um copo d'água que o garçom estava servindo e bebi o negócio de uma vez só, haha.
(autógrafos dos dois, o da Justine no bloquinho e do Scott no livro. Meu One Ring e unha de nebula/galáxia fazendo figuração)

Saindo da livraria (em estado de graça e mais gelada que mármore, inclusive) fui parada por dois coolhunters que pediram pra tirar uma foto minha, disseram que eu estava linda e muito japonesa, bem no dia em que eu decidi ressuscitar três peças japonesas do meu guarda-roupa (o laço, a saia que estava usando e uma pulseira). Me senti dentro de Tão Ontem, juro.


Daí vocês acham que minhas aventuras acabaram, né?  SÓ QUE NÃO, ainda tem o bônus.  Chegando em casa, após uma noite de pizza, vinho branco e bolo pra comemorar o aniversário da minha mãe (que é hoje na verdade, inclusive vos escrevo ainda comendo bolo), mandei o tweet que o Scott me pediu. Um tempo depois ele começou a responder os fãs que estavam lá, e respondeu o meu. Segue tweet.


“You were the coolest in the room” Dá pra morrer quantas vezes em um dia só, mesmo? 
Mandei mais alguns tweets pra ele, ele respondeu e mandou minha foto. Mandei um tweet pra Justine (LINDA!) e ela agradeceu também e assim acaba meu dia maravilhoso. O Scott e a Justine são dois lindos, über atenciosos e simpáticos, mesmo com os pedidos estranhos e cara de pau da que vos fala. A lição do dia é:  Inovadorismo, o inglês em dia e cara de pau levam vocês longe (ou ao menos fazem você ter uns momentos bem únicos e inesquecíveis). Aguardo ansiosamente os dois voltarem pra cá, daí quem sabe eu já não tenha tooodos os livros pra autografar? 
Update: fotos com a Justine e com o Scott! ♥



Text Tuesday #6 - Um dia de cada vez...

terça-feira, 11 de setembro de 2012


Um dia de cada vez...

O despertador cumpria sua função de todo dia, a de ser o emissário dos gritos das almas do inferno que te arrancam do acolhedor sono profundo. Primeira observação do dia. “Talvez nem mesmo a danação eterna seja capaz de me tirar dessa cama hoje” é a segunda. Dormira mais de dezesseis horas seguidas e o leve torpor do sono misturado com a fome e a pressão baixa se fazem perceber de uma só vez numa fraqueza irresistível, agindo como o canto de uma sereia para um marinheiro, atraindo-o para o mar de cobertas desarrumadas e amontoadas onde, rezam as lendas, foi uma cama feita e decente na noite anterior.

Após a disputa matinal diária da razão (“você deve acordar e cumprir suas obrigações, vai se sentir melhor ao final do dia, sem culpa”) versus a vontade bruta e insistente (“deite-se mais um pouco, não vai render nada desse jeito, ninguém vai morrer se você dormir mais quinze minutinhos”) a promotoria vence e a réu preguiça é condenada a não se manifestar até pelo menos sete e vinte, onde poderá ser vista fazendo-o se debruçar sobre a mesa fingindo uma dor de cabeça qualquer pra poder fechar os olhos alguns minutos e anestesiar o tédio. “É receber presença pra não fazer nada”, pensa, “o melhor dos dois mundos”. A responsabilidade não compareceu ao julgamento. Nunca comparecia.

E desde que conseguia se lembrar levou sua vida assim, um dia de cada vez, um aborrecimento de cada vez, desabando na cama para mais dezesseis horas de coma profundo até que o infernal barulho o arrancasse do paraíso dos sonhos. Mas não naquele dia em especial. É verdade, o despertador cumpriu sua função, mas antes mesmo que pudesse praguejar qualquer coisa, olhou-o e percebeu que já passava das sete e meia e a escuridão permanecia intacta dentro do quarto. As janelas estavam abertas, o problema era definitivamente com o horizonte. Já ouvira falar em eclipse solar e coisa que o valha, mas não viu absolutamente nada ser noticiado em lugar algum. Os transeuntes na rua continuavam em seu movimento apressado, sincronizado, numa dança onde todos precisam chegar ao trabalho sete e quinze senão tudo está perdido. “Tudo o quê, mesmo? Pra quê isso tudo, afinal?” Respirou fundo. Perdera a linha de pensamento.

Um único feixe de luz adentrou seu quarto, seguido de um murmurar ao longe.  Apertou os olhos para ouvir, num reflexo instantâneo e um tanto quanto inútil. Tateou a bancada em busca dos óculos, colocando-os na cara da melhor maneira que pôde.  Meteu o dedo na lente sem querer. Merda. Ah, foda-se! (por alguma razão, acordar de forma abrupta só lhe trazia impropérios à mente). Seguiu o feixe de luz dando com a varanda da sala, onde a voz se fazia mais clara. Não havia nenhuma nuvem no céu, mas aquele raio de luz era único e se fazia insistente.


-Hoje resolvi não aparecer. O dia de hoje foi simplesmente cancelado. Por favor, proceda voltando a cama. Você não está perdendo nada, ainda é noite.

Que diabos, não bastava todo o calvário matinal que passava todos os dias, agora estava alucinando e ouvindo vozes também. Já havia acontecido antes, esses momentos logo após o acordar não são claros, nossa mente ainda está com um pé no sono e outro na realidade, é normal que ela nos pregue peças, bláblablá, já ouvira isso antes. De alguma forma o conselho do astro-rei de imponência ausente, mesmo que fruto de sua imaginação, conseguiu atingi-lo em cheio mesmo assim. Sem luz, que faria de qualquer forma? Relógios, horários, tudo invenção pós-moderna, pro diabo com isso! Se o sol resolveu não aparecer hoje, não é dia. “E se até ele pode jogar o despertador na parede e dormir mais um tanto, quem disse que eu não posso?” E foi exatamente o que fez. Acordou lá pelas tantas da tarde. O cansaço havia passado, mas a fraqueza ao acordar permanecia a mesma. Olhou pela janela, ainda escuro. Saiu e voltou para realizar tarefas triviais como ir ao mercado e coisas do gênero. Nada se ouvia nos telejornais, internet, nenhum dos transeuntes parecia se importar, nenhum comentário feito nos elevadores, nada.  Isso o incomodava, mas não a ponto de fazê-lo puxar assunto com quem quer que fosse. Suspirou e seguiu seu caminho.

Terceiro dia. Ou quarto? Os dias haviam começado a se amontoar em sua mente, e o que passava ora depressa ora devagar parecia se estender num ritmo só, um longo e maçante ritmo que parecia não ter começo nem fim. Vez que outra avistava o único feixe de luz na varanda, mas até este sumiu em algum momento, não sabia dizer bem quando. A televisão lhe parecia enfadonha demais para ser ligada, as vozes de um convívio social distante se afastavam cada vez mais e os pequenos modos antes prazerosos davam-lhe asco, até mesmo aqueles bem diminutos como sorrir ou agradecer. Dava-lhe algum conforto esse negócio de noite eterna. Gostava da noite. “O que poderia dar errado?” perguntava-se.

Pouco a pouco, tudo começou a ser trabalhoso demais, custoso demais, cansativo demais.  Sua cama era seu reino e sua casa seu domínio. Não havia nada que fazer sem luz, diabos, então como podiam todos aqueles transeuntes não notar a falta do sol e seguirem em suas marchas de-casa-para-o-trabalho e do-trabalho-pra-casa, seus malditos ônibus bairro-centro e centro-bairro, sem se perguntarem nem um instante sobre isso? Talvez com a necessidade tenham se tornado como peixes abissais que desenvolvem luz própria.  Acabou por decidir que uma hora essa evolução viria para ele também, e abandonando tudo o que restava de uma vez só, dormiu mais uma vez, e outra, e outra. Sentia-se definhando e não podia se importar menos com isso, preso no estado de fraqueza após o acordar e condenado a ele enquanto o sol não voltasse para esquentar seus ombros e o fazer despertar. Sentia-se evitando a vida ao máximo, como quem evita o chão frio da cozinha pisando na ponta dos pés. Dias, semanas, meses, quiçá anos: tudo um borrão só, como uma daquelas segundas-feiras horríveis que parecem não acabar nunca.

Pouco tempo depois, a intervenção do mundo externo veio. Tudo procedia sem maiores problemas mesmo com sua ausência, mas sua falta fora sentida. Logo, um diagnóstico. “Uma merda de papel”, pensou. “Só mais uma merda de papel”. E depois vieram as pílulas que eram como a luz de uma vela: insuficiente, mas serve pra não esbarrar nos móveis. Era o bastante. Vez que outra jurava que podia sentir o calor do sol aqui ou ali, mas suspirava e seguia a vida do jeito que dava. Um dia de cada vez, um aborrecimento de cada vez...

Text Tuesday #5 - Sobre a vida sem celular, coisas nostálgicas e sobrevivência no mundo moderno

terça-feira, 29 de maio de 2012


É sempre com aquela cara de “meu deus, você é uma alienígena?” que eu sou recebida quando dado certo ponto da conversa pedem meu celular, eu dou de ombros e digo que não tenho um.  É sempre a mesma expressão facial mista de espanto e um pensamento de alívio “nossa, ainda bem que não sou eu.” Geralmente me perguntam se fui roubada, ou se é algo temporário, mas eu sempre reafirmo que “não, não tenho mesmo”.  É o mesmo discurso toda vez, sempre as mesmas reações, as mesmas frases... É cansativo, mas compreensível. A minha geração (e a seguinte) toda já nasceu no meio desse turbilhão tecnológico, como se fizesse parte da gente. Enquanto as outras tiveram que se adaptar a mudanças novas e revolucionárias que mudaram o seu modo de ver o mundo, nós nascemos achando isso tudo muito normal, natural, como se nascesse conosco. Uma espécie de segundo cordão umbilical que a gente adquire depois de nascer, que nos conecta com um mundo cheio de informações necessárias pra nos “alimentar” todos os dias.

Eu sou uma pessoa normal da geração Y. Eu juro. Tenho 16 primaveras e possuo facebook, twitter, um blog que de vez em quando eu deixo meio de lado e redes sociais onde eu posto coisas banais e falo bobagens que ficam registradas e documentadas alí sem me preocupar muito, igual a maioria dos jovens. Posto fotos de coisas bobinhas, reblogo gif no tumblr e checo essas coisas mais de uma vez ao dia. Faço muita coisa útil pela internet também, mas procrastino meus estudos com tecnologia tanto quanto vocês todos. Não acho que o celular seja uma invenção de satanás pra atrasar nossa vida e nos fazer queimar no fogo do inferno, pelo contrário, quando pequena eu era louca pra ter um celular. Uma das minhas primeiras memórias da infância é meu pai  e minha mãe pendurarem no cinto dentro de uma capinha de couro aquele Baby da Telesp Celular(quem lembra dele? Gente, a Telesp já virou Telefônica que virou Vivo...brincando brincando já fazem uns 13 anos disso).  Da época que quanto mais pesadão o celular mais status você tinha e  que você tinha que andar pra procurar sinal.Os celulares eram maiores que os telefones sem fio de hoje em dia, e só de lembrar das pessoas abrindo o flip, aqueles botões lisos e arredondados do celular ficando amarelos e da antena gigantesca que precisava puxar, eu dou risada. Pra quem é da época dos smartphones deve ser difícil de imaginar a época dos dumb phones, aqueles que você tinha que rezar pra funcionar a única função que eles tinham, que era fazer ligação. E eram O avanço tecnológico revolucionário.
 (o tal Baby da Telesp)


O meu primeiro celular devia custar uns duzentos réis na época, era um simples, sem flip, com uns joguinhos bobos, uma antena pequena daquelas que não precisava puxar  e o teclado tinha uma luzinha azul que eu amava. Eu devia ter uns seis anos na época e mal saía de casa, então nem minha mãe me ligava, mas na verdade nem eu ligava muito pra isso (sem trocadilhos). Usava ele de lanterna quando acabava a luz, tinha uns joguinhos marotíssimos e já estava ótimo. Depois dele, começou a minha saga de escambo de celulares com meu pai. Ele comprava uns modelos mais novos, mas como com esses modelos vinham mudanças irresistíveis (como versões melhoradas do joguinho snake) a gente sempre trocava. Nisso, eu tive um daqueles modelos antigões da Nokia. 

(PS: até o final do post encontrei, aparentemente era um Nokia 3360, só que cinza claro)



Eu dou risada só de lembrar que os avanços da época eram um celular desse que você colocava ele “de pé” e apertava uma função que fazia ele vibrar parecendo que estava dançando... E os toques monofônicos/ polifônicos, gente? Você tinha que mandar SMS, escolher a música, pagar e ter em seu celular uma versão piorada de alguma música famosa que você gostava, e todo mundo torcia pro celular tocar na frente dos amigos pra mostrar que tinha personalizado o telefone (quanto a esses toques, eu acho que o tecnobrega que toca nesses botecos fim de linha derivou deles. Sério, reparem BEM). Depois disso eu até acompanhei algumas mudanças, queria demais um celular da samsung de slide que não tinha absolutamente nada só pelo design, mas como ele custava uns seiscentos mangos eu desisti. Depois, necessitava DEMAIS um com câmera, depois com espaço pra colocar música. E seguiu-se a lista de coisas essenciais num celular para que eu pudesse sobreviver, e o escambo com meu pai continuava firme e forte. Até que, num belo dia, o celular do meu pai foi roubado e ele precisava urgente de um para o trabalho, e como eu nunca atendia e mal usava o meu pra alguma coisa além de ouvir música, ocorreu o escambo final. A partir daí começa minha odisseia.

No começo foi um saco, eu admito. Era chato pra alguém que acompanhava tudo sair direto das evoluções, do mundo dos primeiros smartphones, touchscreen e essas coisas todas, mas com o tempo minha visão mudou pra um lado até contrário, eu diria, me fazendo manter a decisão de ficar sem celular. As reações quanto a minha decisão de permanecer sem um desses enquanto possível eram chatas, continuam sendo, mas sejamos sinceros: se você tem menos de 18 anos (e isso sendo bem generosa) as chances de que você só tenha um celular pra sua mãe te ligar é imensa (isso além do despertador, ver as horas e ouvir música), e eu nunca fui de sair muito de casa, e quando saio vou pros lugares de sempre. Eu também tenho um problema sério, já que eu sempre acho que o celular está tocando quando não está, e sempre tenho a capacidade de não ouvir quando ele toca mesmo que ele seja um trio elétrico portátil e isso já me rendeu problemas demais.Tem também outro motivo essencial, que eu preciso desabafar: Eu não sei falar no telefone, inferno! Acho desconfortável, me sinto estranha, não sei o que falar, não jogo conversa fora. Se algum de vocês algum dia precisar me ligar, seja breve, conciso, diga o que precisa e pronto. Não me peça pra falar do meu dia, não pergunte dos "namoradim", por favor não se estenda. Eu não sei como funciona esse negócio de passar mais de 15 minutos no telefone. Eu também detesto ser encontrada a todo minuto, celular tocando em todo lugar, atender celular na rua, eu tenho horror a isso. Quando eu preciso sair, vez que outra levo o celular da minha mãe e deixo no silencioso, só pra ligar pra emergência e pra ela caso eu seja atropelada e corra risco de morrer e ir parar na indigência (já que raramente ando com documento no bolso. Eu sei, eu sei).Apesar disso, acho que SMS é uma invenção dos deuses, e eu uso de celulares aqui de casa sempre que preciso, também(abençoado seja o site da Oi, não nos esqueçamos dele, que serve pra mandar mensagem de graça!)
 
Hoje, não sinto falta nenhuma de um. Não digo que jamais terei, já que alguma amiga minha um dia vai acabar me dando um de presente (nem que seja um Nokia lanterninha) já que elas tiram muito sarro disso tudo (vide que toda vez que alguém pergunta quem tem crédito sempre tem um pra olhar pra mim e rir). Talvez num futuro bem próximo eu precise de um e as coisas mudem, e certamente eu vou me adaptar. Quem precisa, tem meu fixo. Quem eu preciso, tenho os números pra SMS. Dá pra me encontrar via redes sociais tranquilamente quase todos os dias, também. Sou uma pessoa muito ligada a internet e tecnologias, não nego, mas acho essencial que ao sair de casa eu saia da área de contato também. Às vezes é legal sair sem fone no ouvido,  ouvir música chata na fila do mercado, se desligar um pouco de tudo e todos, tirar o telefone do gancho, mudar o número do fixo, mudar de casa, sumir. Apesar de vivermos num mundo onde quando a gente sai de casa sente como se tivesse perdendo tudo o que acontece com todos via internet, já foi ao contrário. Eu não preciso colar em todo mundo pra saber tudo, de vez em quando é legal se encontrar com amigas numa praça qualquer, passar perto de lugares onde você já morou, pagar um croissant pra alguém e ocupar os bancos de um lugar qualquer, conversar sobre coisas que já aconteceram há semanas e você ainda não sabia, achar as pessoas de surpresa na rua e não saber o que elas tão fazendo da vida. Às vezes é legal marcar as coisas pessoalmente, não estar disponível 90% do tempo, não receber sms da operadora te acordando de madrugada e saber pra quê serve ainda uma câmera, um relógio, um despertador, um mp3/iPod, sem ter tudo isso junto dependendo de uma bateria só (ou deixar tudo isso em casa também, sei lá), sem entrar em desespero se não puder checar as mentions de qualquer lugar, se perder o carregador.Ligar 9090 de orelhão também, poxa, ou colocar o cartão telefônico(que eu colecionava quando pequena, eles tinham uns desenhos tão legais!), mais nostálgico que isso só se ainda tivessem os orelhões de ficha da já mencionada falecida Telesp (!!!). 

Apesar de aparentar ser 8 ou 80 nesse assunto ao menos num primeiro momento, não sou nem tanto ao céu nem tanto a terra. Após 4 anos sem celular, acredito que ter um é uma comodidade e não uma necessidade.  Meu único receio é de ser assaltada, o ladrão não acreditar em mim quando eu disser que não tenho o tal do “aparelho”, me darem um tiro e eu ir parar na indigência. É sério, eu juro. Se vocês me verem estirada no meio da rua, por favor, chamem uma ambulância e me identifiquem. Minha mãe agradece.

Review Thursday #3 - Resenha de Annabel & Sarah

quinta-feira, 19 de abril de 2012

Annabel & Sarah
Autor: Jim Anotsu
Editora: Draco
ISBN: 8562942030
Ano: 2010
Páginas: 156

Para ler ouvindo:
The Dresden Dolls – Girl Anachronism
Nirvana – Heart Shaped Box
Arctic Monkeys – D is for Dangerous
Blood Red Shoes – Say Something, Say Anything
Silverchair- English Garden
Raconteurs – Steady As She Goes
No Doubt – Different People




Resenha:

Me apaixonei por Annabel & Sarah. Esse livro me cativou de um jeito tão forte que eu demorei só uma hora e meia para lê-lo, tamanha a vontade de devorar a história. Isso é rápido demais até pros meus padrões, haha.

Ele tem uma aura meio Alice in Wonderland, mas com a clichê porém sempre interessante história das gêmeas totalmente diferentes.
Enquanto Annabel é uma garota sarcástica e reservada, Sarah é fofa, extrovertida e alegre. As duas moram em casas separadas, uma com a mãe e outra com o pai, e em um final de semana precisam sair juntas. Annabel não gosta nada da idéia de ter que aturar Sarah um final de semana inteiro, até que ela é sequestrada misteriosamente. A partir desse momento, as duas precisam seguir jornadas separadas em mundos no mínimo curiosos para que possam se reencontrar.

Posso abrir um parágrafo todo especial pra comentar que eu tenho medo do Jim Anotsu? Já que, sim, ele deve ser meu stalker e eu não sei. Me surpreendí
muito com o quanto a Annabel se parece comigo, até nas coisas pequenas. Corta os próprios cabelos, não tem um celular por ter horror a ser encontrada a toda hora, gosta das mesmas bandas que eu gosto e tem roupas parecidas com as minhas. Brincadeiras a parte, é sempre bom ler um livro onde você consegue se enxergar em uma personagem, torna a experiência muito divertida. E ler um livro onde alguma das personagens tem seu nome também é algo que vocês deveriam tentar se tiverem oportunidade, é estranho mas de um jeito bom.

Enquanto Sarah é levada a um estranho lugar chamado Allegria onde todos são obrigados a serem sempre felizes e a tristeza é um privilégio proibido, Annabel é designada para encontrar a flor amor-perfeito e trazer Sarah de volta, num lugar onde animais falam e andam e humanos são criaturas selvagens que são domesticados ou temidos. Cada um desses mundos possui sua ironia e genialidade próprios, e eu gostei muito do modo como são descritas as duas jornadas que são cheias de críticas inteligentes, entrelinhas, metáforas e passagens tão geniais que chegam a ser divertidas. Muito da graça do livro depende da sua capacidade de interpretação e de “pescar” as diversas referências, já que o livro é recheado de referências geniais a música, livros, filmes e cultura pop. De um modo geral elas são muito bem executadas(exceto pela referência a Sweet Lolita de Annabel, quando ela descreve Sarah *). O livro já começa com um capítulo chamado “Garota Anacronismo”, nome de uma das minhas músicas preferidas da vida, do duo americano Dresden Dolls. Tem como não amar? Os interlúdios no meio da história também são deliciosos de ler, dando uma graça a mais e contando mais sobre momentos da vida das irmãs fora do plot principal da história, ótimos para ajudar a desenvolver as protagonistas.

Além da história principal que acaba deixando essas duas irmãs tão distintas um pouco mais próximas, as personagens secundárias apesar de terem pouco espaço na trama não deixam absolutamente nada a desejar, já que cada uma possui certo carisma e ajudam na hora de conduzir a história. Um ótimo livro nacional, daqueles que você termina de ler com um sorriso no rosto. Usa de todos os recursos que possui para tornar a leitura mais emocionante e incrível, e além de tudo com uma diagramação linda e ótima. De escrita suave, em partes surreal mas sempre impecável,
me prendeu do começo ao fim.

"Jenny e Virgínia são garotas anacrônicas,
ficam belas de rosa, mas consideram preto substancialmente melhor.
As garotas nem sempre fazem as coisas certas, mas quando cometem as erradas,
isso é acidentalmente de propósito"

(pág. 85)


* “você e seu jeito Sweet Lolita delicada e perfeita ” (pág. 25)
Não existe algo como um jeito Sweet Lolita “delicado e perfeito” já que é apenas um estilo de roupas sem comportamento definido, que não exige de forma alguma um jeito para acompanhar e combinar com as roupas (o que significa que se você quiser ser a encarnação do satanás vestida com laços, ninguém tem nada a ver com isso). Sim, eu sou BEM chata com essas coisas, e qualquer uma que já fez parte da cena lolita entende meu drama.

Music Monday! #8 - Franz Ferdinand

segunda-feira, 16 de abril de 2012

E é com uma gripe dos infernos que eu redijo o post de hoje a vocês, meus caros leitores. Precisei de muita força de vontade pra levantar da minha catacumba hoje e vos prestar esse serviço de utilidade pública, acreditem, a coisa tá feia. Pra vocês que, ao contrário de mim, foram pra aula/trabalho hoje e estão tendo uma segunda feira de quinta (aliás, segunda-feira ruim é redundância)trago a indicação musical da semana pra ver se vocês dançam um pouquinho e sobrevivem a mais esses quatro dias úteis que temos pela frente. É com o máximo de animação que eu consigo reunir nesse momento (o que é bem pouco, mas tá valendo) que vos apresento... *drums roll*

Tonight: Franz Ferdinand! (palmas pro meu trocadilho sensacional com o nome do último CD da banda, por favor.)


Franz Ferdinand é uma banda de rock formada em Glasgow, Escócia em 2002. A banda é formada por Alex Kapranos (vocal e guitarra), Bob Hardy (baixo), Nick McCarthy (guitarra base, teclado e vocal de apoio) e Paul Thomson (bateria, percussão e vocal de apoio). [Fonte]

Caras, se vocês eram vivos e estavam habitando esse planeta em 2004 existe uma BOA chance de vocês terem escutado Take Me Out por aí. Fez um sucesso bem considerável e não se falava em outra coisa além do Franz e seu estilo que mistura influências dos anos 80 (como o Talking Heads) com elementos do indie. A banda tem 3 álbuns ótimos e dá pra definir uma boa parte das músicas como música pra dançar e pular em cima da cama, soltando a franga mesmo.Sério, não vou te julgar se você fizer isso, é compreensível.

Além de Take Me Out a banda é cheia de hits como Do You Want To, This Fire, Ulysses e No You Girls. Eu comecei a prestar atenção na banda depois de assistir um anime (que, aliás, é um dos meus preferidos) chamado Paradise Kiss, que usa Do You Want To como encerramento (vou deixar o link no final do post pra vocês verem). Pra completar a lista de curiosidades pertinentes, o nome da banda é uma referência ao arquiduque da Áustria-Hungria Francisco Ferdinando, cuja morte foi um dos estopins da Primeira Guerra Mundial.

A banda já esteve no Brasil em 2009 e vai passar aqui novamente esse ano, no festival Cultura Inglesa (que já trouxe, entre outros, o Blood Red Shoes pra cá e nesse ano trará também o We Have A Band e o The Horrors) em São Paulo no dia 27 de maio, e, a melhor parte :
DE GRAÇA.

Quem for daqui não tem desculpa, hein? CORRE, MOÇADA! E se me encontrar por lá por favor não se espante, certeza que vou estar berrando e dançando alucinadamente.


Vamos as músicas, caros jovens. Já aviso que serão muitas, pra vocês já irem conhecendo e aprendendo as letras pra cantar junto na hora:

Take Me Out
This Fire



Do You Want To


This Boy
Ulysses(o link embaixo é só a música, o clipe vocês podem ver aqui http://www.youtube.com/watch?v=31sZ9xZr_Ew )



No You Girls


What She Came For


E, como prometido, Do You Want To como encerramento de Paradise Kiss:

"I time every journey to bump into you accidentally. I charm you and tell you of the boys I hate, all the girls I hate, all the words I hate, all the clothes I hate, how I'll never be anything I hate. You smile, mention something that you like or how you'd have a happy life If you did the things you like..." (The Dark Of The Matinée)


Espero que vocês gostem!

Text Tuesday #4 - Sobre quando eu me dei conta de que minha letra era horrenda

terça-feira, 3 de abril de 2012

(A foto do post é essa, mas se fosse a pedra da roseta capaz de vocês entenderem melhor. Legenda: Oi, eu sou a dona do blog."Esse é o meu garrancho.Isso tá bonitinho ainda, mas tem horas que nem eu mesma entendo essa joça". Tentei ser o mais fiel possível pra sair minha letra do dia-a-dia.)



Oi, eu me chamo Sarah e tenho a letra mais horrível do universo Tá, mentira, eu nem acho ela tão feia assim. Eu já estou habituada, mas coitado de quem pega meus cadernos nas aulas pra copiar. Dramas reais, a gente vê por aqui.

Tudo começou naquela fase em que você escreve a letra S ao contrário e não escreve nem o seu nome direito. Pra uma criança, minha letra horrorosa e tremida era mais do que normal, afinal era fase de aprendizado, e eu como garota logo mudaria o meu jeito de escrever para algo mais socialmente aceitável. Foi quando chegou no pré que meu dilema com a vida começou. E foi no primeiro “posso pegar seu caderno emprestado?” que eu me dei conta do garrancho que eu chamava de letra.



A professora entra na sala, passa as letras maiúsculas e minusculas e você copia, sem segredo nenhum. Minha letra era uma cópia mal feita daquela letra cursiva de professora onde o “a” é redondinho, o “r” tem uma bolinha do lado, o “S” é todo enroladinho e o “k” é ESTRANHO. Eu me esforçava pra manter meu padrão de letras perfeitamente redondas e proporcionais, mas todo mundo sabe que escrever devagar é um saco. Eu me espelhava nas outras crianças (principalmente as meninas) em escrever pausadamente, devagar,proporcional, mas sempre saía um lixo. E eu penava nas provinhas de segunda série pra provar que meu 9,0 na verdade era 10 já que aquela letra meio desconjuntada era um A, e não um O. E tome rabiscar, rasurar, transformar aquele treco que parecia “al” em “d”... E lá ia eu levar represálias. “Letra LEGÍVEL, crianças!” e choviam olhares pra cima de mim.Eu não tenho culpa se letra cursiva é um troço do diabo onde se você aumenta uma letra ela parece outra, e se você escreve junto ou distante demais fica tudo parecendo outra coisa!



Vocês se lembram daqueles malditos cadernos de caligrafia? Eu sempre quis tacar FOGO naquilo. Eu era sempre a primeira indicada pra escrever “gato, lápis, sapato, abelha...” e todas aquelas palavras mil vezes, uma embaixo da outra. E desde aquela época eu já tinha o dom de não conseguir escrevê-las iguaizinhas. Eu via os aplicados sempre com a letra bonita, os bagunceiros com garranchos e eu, alí, no meio. A menina da letra ruim e nota boa, as redações boas mas que sempre geravam “quê que tá escrito aqui, minha filha?”. E sempre as malditas chamadas de atenção pós prova que me deixavam vermelha e morrendo de vontade de voltar pra casa. A pior delas foi quando, na terceira série, eu fui escrever meu nome na prova. Até o Sarah tava beleza, chegou no sobrenome o meu A final saiu parecendo uma droga de um O e eu precisei rasurar. Já na prova eu queria me enfiar num buraco e jogar terra em cima, certeza que iam rir muito da menina que “errou o próprio nome!” (mas, em todo caso, melhor eu rasurar e deixar legível do que no meio da chamada berrarem tudo errado. Meu sobrenome já causa confusão quando eu falo e escrevo certo, quanto mais errado). Dito e feito, a maldita na correção desatou a falar do rendimento da sala e terminou o dia soltando “o nível dessa sala tá tão ruim que teve gente errando o próprio nome!!!” . Todo mundo se olhando e rindo tentando descobrir quem era o imbecil, e eu num misto de vergonha e alívio por ninguém me conhecer e minha fama não ter chegado na escola nova. Pior dia da minha terceira série inteira.



Comecei o parágrafo anterior falando de cadernos de caligrafia, né? Tenho uns até hoje, fico protelando pra usá-los. Desde aquela época eu achava caligrafia um tédio, e com o tempo isso só piorou, e o fato de eu ser menina só agravou. Desde pequena incentivam as garotas a terem letras bonitinhas, organizar os cadernos e ter canetas coloridas e deixam os moleques de lado. Isso só serviu pra me incluirem no grupo deles, onde eu fui até bem acolhida e permanecí um bom tempo. Letra mais feia, risada na aula e ralar o joelho? Comigo e eles. Sarah and the boys, sempre, apesar de algumas amiguinhas inclinadas ao lado “não tô nem aê” sobreviverem. Acho que isso só piorou o fato de eu me sentir deslocada. E sempre aquele sentimento de falha toda vez que precisava pedir o caderno delas quando faltava. Tudo em tópicos, coloridinho, lindo, aquelas letras diferentes que certamente não tinham nada a ver com aquela cursiva bizarra de professora. E eu lá, copiando mais rápido pra sair cedo da sala, comer coxinha no pátio e bater tazo [!]. Daora a vida.



Após a infância, as coisas pioraram pra mim. Bastou eu entrar pro colegial que TODO mundo começou a me perguntar o que eu queria fazer da vida. E embora as minhas respostas sempre fossem diferentes, as réplicas eram sempre iguais: “ah, achei que era medicina”. Lavar louça esse povo não quer, né? E ficou PIOR. Com as lousas cheias de matéria, quando eu me empenhava a copiar, terminava sempre antes de todo mundo. E quando o sinal batia, era sempre a mesma coisa “Quem terminou?” “Eu”. E meu caderno voltava pra minha mão em dois minutos após um “ah...brigado” meio tímido. Traumas, todos eles. Dêem graças a Zeus que blog não é escrito à mão.


Apesar de ser uma menina da letra feia e desorganizada, aprendi a lidar com isso. Sou tradutora oficial do garrancho dos outros, dou um aviso prévio acerca dos meus hieróglifos pras pessoas, tento escrever com calma quando preciso passar bilhetes e aumentei minha paciência com os professores que precisam decifrar essa desgraça, e ouso até dizer que consigo escrever de um modo legível (o que não significa que minha letra fique bonita, isso nunca foi nem vai ser. Quanto mais eu me aplico pra letra ser bonita, mais bizarra ela sai). Claro que os malditos comentários de “Nossa, que letra infeliz!” e “Ah, você pode trazer digitado. O resto eu quero que copie.” e até “Caramba, o exército podia usar isso como código!”ainda existem. Mas copiar rápido, terminar provas mais cedo e comer coxinha no pátio enquanto a quadra não está cheia é certamente uma vantagem. E se tudo der errado, abro um negócio ilegal de venda de receitas médicas falsificadas, fico rica e construo meu império. E vou sambar na cara de todas as professoras primárias com seus “kás” cursivos bizarríssimos.






(Me fala se essa desgraça não parece o cruzamento ente um L e um R?)


Music Monday! #7 - Blood Red Shoes

segunda-feira, 19 de março de 2012

E quando vocês pensam que eu morrí, eis que ressuscito junto com mais um Music Monday pra continuar animando as segundas-feiras de vocês. Nesse dia que tem o histórico de ser o dia mais chato da semana, vou aliviar o tédio de vocês com mais uma banda, etc e tal.




Blood Red Shoes é uma banda britânica de indie rock formada no final de 2004 em Brighton, na Inglaterra.

A banda consiste em Steven Ansell (bateria e vocal) e Laura-Mary Carter (guitarra e vocal) , e se formou em 2004 depois que suas então bandas (Cat On Form e Lady Much respectivamente) acabaram.

(Last.FM)


Conheci o duo Blood Red Shoes via a trilha sonora do filme Scott Pilgrim Contra O Mundo, baseado na HQ Scott Pilgrim. Logo no filme It’s Getting Boring By The Sea me chamou a atenção e eu corrí atrás pra ver qual era. A banda é cheia de influências muito boas como a minha queridíssima Queens of the Stone Age, Nirvana, Pixies e a ótima Sonic Youth, além da banda ter como ídolos Blur e PJ Harvey. Não tinha como não me acertar direto no coração, hahaha. Depois descobri que a música entrou no filme pois o diretor Edgar Wright é fã da banda e decidiu colocá-los na trilha sonora após vê-la ao vivo.


A banda tem um EP chamado I’ll Be Your Eyes e dois CDs , o meu favorito Box of Secrets e o Fire Like This, que é de 2010. O nome da banda vem de um musical com Ginger Rogers, no qual ela deixou um par de sapatos originalmente brancos manchados de sangue, por ter se esforçado ensaiando para o papel. Apesar do último CD ser relativamente bem recente, o álbum In Time To Voices tem como data de lançamento esse mês. O primeiro single, Cold, foi lançado hoje e o álbum sai dia 26. Adivinhem quem está no aguardo? Pois é.
Caso vocês gostem, podem se animar. A banda já passou pelo Brasil em 2011 (e eu nem fui. É.) e anunciou uma turnê nova pelo Reino Unido e Europa pra maio desse ano, e os planos é de que seja uma turnê mundial, mas ainda não temos datas. Vamos acompanhar.
É isso, vamos as músicas:


It’s Getting Boring By The Sea (A primeira que eu escutei)



I Wish I Was Someone Better (A que tem o melhor clipe deles, vale a pena assistir!)



Say Something, Say Anything (A que vai grudar na sua cabeça por dias)
ADHD (A que também conhecida como a história da minha vida)

"Well it's left a gaping hole, a space i can't fill on my own. So what's left to be said? And who's there to take good care? For us, and for her to lead on and ease what hurts, to take sides, to take pride, to fight through disguise and lies? [...] So tell me - how long can you miss someone? (Say Something, Say Anything)"

Beijos, e que vocês sobrevivam a mais uma segunda-feira! Espero que gostem!

Music Monday! #6 - Bloc Party

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012



Bloc Party é uma banda britânica de Indie Rock, composta por Kele Okereke (vocal, guitarra), Russel Lissack (guitarra), Gordon Moakes (baixo, backing vocals, metalofone, sintetizador) e Matt Tong (bateria, backing vocals). Seu estilo tem influência de bandas como Mogwai, The Cure, Joy Division, Sonic Youth e , em seus trabalhos mais recentes Radiohead.
Bom, primeiro aviso logo que o post de hoje vai ser meio compacto infelizmente já que não tô na minha casa, no conforto do meu lar e etc.

Faz tanto tempo que eu conheço Bloc Party que eu nem sei direito quando conheci, mas eu tenho certeza que foi com Banquet (a música que ganhou o award de música que eu mais escutei EVER, é sério) e Helicopter, e depois de ouvir o cd inteiro, Silent Alarm, já amei de vez e pronto, já era.

A banda começou abrindo shows do Franz Ferdinand e na época em que lançou o primeiro CD, o Bloc Party foi parar no saquinho das bandas britânicas promissoras de indie tradicionalzinho tipo The Killers e Kaiser Chiefs, e foi über aclamado pela crítica. A banda era constantemente comparada com outras do mesmo gênero, então quando eles surgiram com o A Weekend In The City todo dancefloor foi uma surpresa geral (sendo considerado o pior disco de 2007 por muita gente). Então, se vocês curtirem bastante o primeiro CD, pode ser que os outros dois álbuns não te agradem muito.

O estilo da banda está inegavelmente cada vez mais dançante nos moldes do eletro-rock e isso não agradou muita gente não, mas como meu gosto musical é deveras diversificado, eu continuo gostando da banda e acho o Intimacy (último CD) ótimo. O Silent Alarm marcou bastante uma época da minha vida e é uma banda muito especial pra mim, então ouçam com carinho:
Like Eating Glass


Banquet


Pioneers


Mercury


Your Visits are Getting Shorter




" A heart of stone, a smoking gun, I'm working it out. Why'd you feel so underrated? Why'd you feel so negated? (Banquet)"


espero que gostem~

[Dia 6 - Desafio] Resenha - Eu Sou o Número Quatro

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012


Eu Sou o Número Quatro

Autor: Pittacus Lore
Editora: Intrínseca
ISBN: 9788580570137
Ano: 2011
Páginas: 350

Pra ler ouvindo:

Bloc Party
– Like Eating GlassBloc Party – Blue LightBloc Party – Positive TensionFranz Ferdinand – The Dark of The MatinéeThe Subways - Girls and BoysThe Strokes - The Modern AgeArctic Monkeys – Do me A FavourArctic Monkeys – 505Arctic Monkeys – Old Yellow BricksArctic Monkeys - Only Ones Who Know30 Seconds To Mars – Kings and Queens30 Seconds To Mars – Buddha for Mary

Resenha:


Quatro vive como um fugitivo. Nômade, já percorreu todo o Estados Unidos tentando se esconder dos mogadorianos, criaturas que já destruiram seu próprio planeta e agora estão em busca de recursos de outros lugares para que possam sobreviver. Esses áliens invadiram o planeta Lorien há algum tempo, destruindo o lugar. A única esperança do planeta são os nove lorianos que escaparam, todos possuidores de legados (super poderes, coloquemos dessa forma) e que juntos poderiam unir forças para recuperar o planeta em que nasceram. Foram enviados como refugiados para a Terra, tendo que viver como pessoas normais e correndo para cada vez mais longe caso perceberem que algum mogadoriano está próximo. Até o dia em que desenvolverem seus legados e unirem-se. Aí sim, a batalha final chegará.


Nesse meio tempo, Quatro, mais conhecido como John Smith (mas que já foi Daniel Jones e uma outra infinidade de nomes) se muda para Paradise, Ohio, junto de seu protetor Henri.Sua vida começa a mudar quando ele conhece a encantadora Sarah, faz amizade com um garoto chamado Sam e se torna rival de Mark, o Quarterback do time de futebol, ex de Sarah e bully oficial da escola. Ao mesmo tempo em que ele precisa se preparar cada vez mais para a Batalha, ele começa a se acomodar na vida aparentemente normal que possui e continuar com ela o quanto puder.


Deixo avisado aqui que gostei de Eu Sou o Número Quatro, de verdade mesmo, mas ele tem defeitos e me incomodou em algumas partes. esse livro é cheio daquela sensação de “cara, eu já vi isso antes” . A história principal foi muitíssimo bem elaborada, mas o diabo está nos detalhes, e esses sim me incomodaram um tantinho. De fato, muitas coisas nesse livro são clichê e já desgastadas até os ossos, como as histórias e pessoas não relacionadas a história central dos nove e etc. O álien que vem de um planeta distante que é dizimado por seus inimigos, as personagens terráqueas que não são exatamente bem elaboradas como por exemplo o jogador de futebol valentão, a (ex) líder de torcida linda e irresistível que por acaso é ex do valentão, a rixa com esse valentão por causa da garota, o nerd da sala que sofre bullying e é fissurado em histórias de áliens e teorias conspiratórias, o protagonista defendendo esse amigo nerd do valentão...Eu perdi a conta tentando enumerar quantas vezes essas coisas já foram utilizadas. Lorien também por si só foi meio preguiçosamente feita, quase como uma terra (até na linguagem parecida) só que mais distante, melhorada, mais velha e com habitantes super poderosos. O livro dá umas escorregadas no fato de parecer demais com a Terra e escorrega em pequenas coisas como Lorien ter pedras preciosas que vem a sustentar John e Henri na Terra, coisas essas que não “colam” muito. Compreendo que é difícil para o autor criar um planeta inteiramente novo sem tomar como referência absolutamente nada do que conhece e construir uma história a partir disso, mas até porque o autor usou um pseudônimo como se fosse um habitante de Lorien, acho que esforços maiores deveriam ter sido feitos.


E o que mais me deixou de cara é que os mogadorianos destruiram os recursos do planeta deles em busca de posses e pela ganância e agora estão invadindo planetas alheios, e os lorianos que já passaram por isso deram um jeito de Lorien ser autossustentável e o planeta os agradeceu com os super poderes para alguns. Ok, a intenção de mostrar pra nós essa questão da sustentabilidade foi boa, mas precisava esfregar na nossa cara? Me senti um pouco vendo o desenho do Capitão Planeta ou ouvindo os conselhos do He-man. A falta de ceticismo das personagens sempre me deixa irritada em livros do tipo, mas entendo que é um recurso pra acelerar o ritmo da história. Sigamos.


No entanto, antes que vocês tirem o livro do “vou ler” e nunca mais olhem nem pra capa dele, já aviso que não vale a pena. Que ele começa no óbvio ululante isso é inegável, mas a própria história dele o salva, apesar de que poderia ter sido muito melhor aproveitada. Eu não esperava muito dele, então acabei me surpreendendo. As personagens terrivelmente comuns do livro tomam rumos e fazem coisas que não são do feitio deles, as pessoas mudam e são imprevisíveis e a ação no livro é impressionante. Acabei me afeiçoando sem perceber a John, Henri, Sarah, Bernie Kosar (o cachorro de John), Sam e todo o resto.Ao terminar o livro percebi que talvez as personagens e situações que não gostei foram escritas assim para o livro não precisar se extender muito nas suas histórias e ir logo pro que interessa. Não,os clichês já citados não afetam a história principal, esta sim muito bem feita e planejada. Não é de forma alguma um daqueles livros onde dá pra você adivinhar o final na metade, e muito menos uma leitura arrastada. Apesar de ter me incomodado em diversos pontos, foram 350 páginas muito rápidas de ler e bem aproveitadas e que, apesar de tudo, surpreenderam em vários momentos. A história dos nove lorianos na Terra é boa, eu gostei muito e com toda certeza vou continuar a lê-la.
"Olho para o relógio na parede. Quase uma hora se passou. Estou suando, ofegante, perturbado com as cenas de morte que acabei de testemunhar. Pela primeira vez, entendo realmente o que aconteceu em Lorien. Antes desta noite os eventos eram apenas parte de uma história, não muito diferente de tantas outras que li nos livros. Mas agora vi o sangue, as lágrimas, os mortos. Vi a destruição. Ela é parte de quem eu sou."

Ps: ler um livro com uma personagem com o mesmo nome que eu foi, definitivamente, uma experiência nova e meio estranha, hahaha.
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